O ranking das coxinhas: quais são as melhores do Rio, entre as clássicas e com assinatura de chef?

Em primeiro lugar, uma óbvia, porém necessária, observação: quando escrevo que isso é melhor do que aquilo, que este restaurante é melhor que outro, quando elogio um vinho ou uma cerveja, estou apenas dando a minha opinião. Só isso, e apenas isso. Não se trata de uma verdade absoluta, e não queria que assim fosse tratada. Quando faço a minha lista de restaurantes, ou quando crio meu ranking de melhores esfihas, estou apenas falando das minhas próprias experiências, conjugadas também com leituras, comentários de amigos e – em tempos de Instagram – até mesmo pelas fotos que vejo.

Posto isso, vamos continuar. Outro dia, não sei por quais razões, resolvi escrever a minha lista de esfihas preferidas. E postei no Facebook: “Sei que a esfiha mais amada do Rio é a da Rotisseria Sírio Libanesa. Ok. Mas, para mim, a melhor é a da Padaria Bassil, no Saara. A segunda melhor, é a do Baalbeck, na Galeria Menescal. Depois, eu ainda prefiro a do Amir. Aí, posso considerar a Rotisseria, mesmo assim só considerar. Porque talvez prefira a das Casas Pedro, e certamente a do Arab.” (Deixo o link aqui, para quem quiser ler os comentários, onde há boas dicas, e sugestões interessantes em diferentes lugares).

Muita gente concordou, muita gente discordou. O Baalbeck, para muitos, é o melhor.  Houve quem defendesse a Rotisseria, e até quem dissesse que a casa do Largo do Machado lhe bastava. Teve até quem se incomodou com a inclusão das Casas Pedro. Mas por que alguém se acha no direito de ditar a minha opinião? Não é uma verdade. É a minha opinião. E apenas isso, ninguém poderia dá-la por mim. Vivo de dar minha opinião, e faço isso com muito cuidado, respeito e atenção, e sobretudo, sinceridade.

Monique Cardoso, jornalista querida e amiga dos tempos de JB, comentou: “Faz um post desse de coxinha?”.

Claro que sim. Adoro esses pedidos.

Está feito.

Em primeiro lugar, quero dividir a lista em duas categorias.

As tradicionais: de galinha mesmo. À moda antiga, clássicas.

E as autorais. Com toque do chef. Com recheios, acompanhamentos e outras ideias caprichadas, com assinatura. Pode até ter outro tipo de carne, tipo pato, ou rabada (no caso é em SP, do 12 Burger & Bistro, do australiano Greigor Caisley).

Minha primeira lista fica assim:

Bar da Gema: a mais coxinha entre todas as coxinhas – Foto de Bruno Agostini

– Bar da Gema:  O campeão. Faz uma coxinha deliciosa, seguindo os pratos históricos, em termos de tamanho, forma, recheio e conjunto da obra, requisito básico quando o assunto são comidas tombadas pela memória coletiva. Segue rigorosamente os padrões, e assim é o melhor de todos. Vai conferir, só às terças.

Bar da Frente: tamanho mignon e molho de requeijão – Foto de Bruno Agostini

– Bar da Frente: Aqui temos um momento de glória, que só fica em segundo lugar porque usa um artifício indecoroso, porém muito bem adequado à situação, porque não dá para dizer que é menos delicioso que a coxinha do Da Gema. É apenas diferente. As coxinhas, em tamanho C, de coquetel, são dessas usadas em festas, que comemos em duas mordidas, muito bem servidas com palitos que ajudam na hora de lambuzá-las, sem pudor, na fondue de requeijão que é servido junto.  Combina.

– Fornalha: Clássico que compõe a minha memória afetiva, tantas noites desgastadas no saudoso Ballroom e na ainda querida Cobal do Humaitá, que emanou para o resto do bairro, atingindo Botafogo, seus tintas modernistas, hipsters, de vanguarda e divertidas, que fazem daquelas bandas a parte mais legal e jovem do Rio atual. Continuamos a passar na Fornalha, cada vez mais raramente, para a larica das madrugas. E não é só porque vamos lá com fome que não podemos reconhecer suas virtudes. A coxinha da Fornalha também é boa como almoço ligeiro, lanche da tarde ou pré-night, pra forrar o estômago e dar a necessária carga de carboidratos contidos na massa. A redenção dos loucos, o lanche da madruga, o podrão redentor.  Um clássico das noites cariocas.

Tem mais. Nunca fui, mas preciso acrescentar à lista, mesmo sem ainda ter ido, a Vilamore, em Vila Isabel, padaria muito famosa nas redondezas por sua coxinha de galinha, e quem me diz isso é o amigo e oráculo Gabriel Da Muda Cavalcante, que me sugeriu o lugar, e do fotógrafo aventureiro e cozinheiro Felipe Hanower, que indicou os salgados de lá em um post de hoje mesmo no Facebook: uma pergunta do apresentador e chef Pedro Benoliel: “Quiz do dia: alguém conhece fornecedor de coxinha de galinha, que seja boa pra c@r@#$%*?!?!?!?!?
obs: não vale ser do Fornalha, pois eles não vendem no atacado.”

 

E a segunda lista fica assim:

Cozinha Artagão: de frango com quiabo e requeijão, e “Tabasco” caseiro – Foto de Bruno Agostini (do Instagram: @brunoagostinifoto)

– Cozinha Artagão: O melhor. Houve ensaios anteriores, e eu me lembro de ter provado uma deliciosa coxinha no Irajá, em um dos muitos jantares que tive a sorte de ter por lá. Tanto ali, no laboratório de experimentos que abastece suas demais casas, cuja a última novidade é o quiosque Azur, no Leblon, quando no restaurante Cozinha Artagão, onde ele serve uma deliciosa coxinha de frango com quiabo e requeijão, que é para mim a mais deliciosa servida no Rio, e a melhor que já provei. Massa leve e delicada, frita à perfeição, com migalhas de panko que reforçam a crocância, e servida com um recheio esperto, na medida exata. Acompanha belíssimo “Tabasco” caseiro.

– Bagatelle:  O chef Thiago Maeda está deixando o Bagatelle. Cumpriu a sua missão, e se despede deixando um menu muito atraente, e uma equipe azeitada. Um dos campeões de pedidos  é a porção Les “Coxinha” de Janine, versão deliciosa, como a da Cozinha Artagão, sequinha, massa em ponto perfeito, estufada, como diriam os portugueses, com com galeto assado e shiitake, servido com um belo bérnaise.

Bazzar: Vou resumir. O Bazzar lançou um menu para homenagear os seus bravos cozinheiros, em maioria cearenses. Então, surgiu um menu assim: Coxinha de capote. Mais um das série, não provei, mas acrescento aqui, por ter visto muitos relatos positivos de amigos de distintas vertentes culinárias. Leia aqui um post da Marcella Sobral, sobre o menu. 
Uma boa explicação do encontramos no post, extraído do Instagram da Cristiana Beltrão (obrigatório seguir @crisbeltrao):  “No Ceará, capote quer dizer galinha d’Angola. Aqui, esta ave ligeira e arisca recheia três pastéis espiados por um tantinho de geleia de cajuína e outro de compota de jiló. Uma homenagem do Bazzar aos cearenses que fazem nossas cozinhas, salões e sorrisos Rio adentro… . Guinea fowl dumplings, cashew fruit jam and scarlet eggplant compote. A tribute to brazilian northeastern cuisine, where most of our kitchen and wait staff come from.”

Bem… São esses os que eu conheço e indico. Quem quiser deixar mais dicas, só colocar nos comentários.

 

admin

Bruno Agostini é carioca, jornalista e fotógrafo. Especializado em turismo, gastronomia, vinhos e cervejas, viaja o mundo atrás de boas histórias, e da boa mesa. Com passagens por empresas como Jornal do Brasil, O Globo e Editora Abril, foi inspetor de restaurantes do Guia Quatro Rodas e é autor de livros, como guias de viagem, vinhos e restaurantes. Atualmente atua como freelancer, escrevendo para veículos especializados, entre jornais, sites e revistas, como Época Rio, Top Destinos, Carbono Uomo, Eatin’Out e Baco, entre outras. Contato: bagostini@gmail.com Instagram: @brunoagostinifoto

5 thoughts on “O ranking das coxinhas: quais são as melhores do Rio, entre as clássicas e com assinatura de chef?

  • Março 17, 2017 at 12:25 pm
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    A coxinha do Da gema é a melhor pra mim também! Experimenta a do Vilamore que vale a pena também e aproveita que esta perto e prove a de rabada do Buteco dus deuses que é realmente dos deuses!

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    • Março 17, 2017 at 12:34 pm
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      Obrigado pelas dicas, Lu.

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  • Março 17, 2017 at 1:19 pm
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    Sou viciada na coxinha que minha mãe faz e fico por aí, procurando alguma que chegue perto … Depois que encontrei a coxinha da Pavelka, na rua do Ouvidor, sou muito mais feliz no centro do Rio!! As meninas até já me conhecem porque realmente bato ponto lá. A da Antiga Mercearia e Bar na Cobal do Humaitá também é sensacional!

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    • Março 17, 2017 at 2:33 pm
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      Obrigado pelas dicas, Daniella.

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  • Março 22, 2017 at 6:56 pm
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    Brunão, a coxinha do Irajá tá foda mesmo! Do cardápio novo, talvez a melhor entradinha. Abraço!

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