Niagara-on-the-Lake: cataratas, vinícolas, história e boa mesa nos arredores de Toronto

As Cataratas de Niágara, vistas do helicóptero – Foto de Bruno Agostini

 

Enfileirados, entramos no helicóptero, com organização militar, e só faltou bater continência para o capitão. Especialmente no verão, com dias ensolarados e longos, os pousos e decolagens acontecem sem interrupção. As hélices nem param de rodar, entre um grupo e outro. Decolamos e seguimos o desenho do rio Niágara, suas águas espelhadas  pelo sol e os contrastes da vegetação verdejante do Queen Victoria Park. Damos a volta na porção americana das cataratas, onde além da queda d’água vigorosa, talvez a mais famosa do mundo, se impõe a Skylon Tower (que está em solo canadense). É um momento de deslumbre, a correnteza forte, os arco-íris que se formam, as informações passadas pelo rádio, e o helicóptero inicia a trajetória de retorno, sobrevoa a parte canadense, e pousa, para voltar a repetir o programa de 12 minutos, que – com o perdão do trocadilho – passam voando.

O programa é – literalmente – o ápice do passeio pela porção canadense da região das Cataratas de Niágara, que está longe de ser pontuado apenas pela exuberância natural, onde encontramos ótimos restaurantes, vinícolas e simpáticas construções históricas muito bem conservadas, e estrutura náutica de primeira linha.

Passear pela região de Niágara é um complemento perfeito para esticar o período em solo canadense a partir da estadia em Toronto. Niagara-on-the-Lake está a cerca de 130 quilômetros da capital do estado de Ontário – que pode ser avistada, em dias claros, do outro lado Lake Ontario. A região é bucólica e tranquila, com ótimo repertório turístico, a começar pelas Cataratas de Niágara, emblema dos EUA e do Canadá.

 

AS CATARATAS

Um dia é o suficiente para se fazer todos os programas necessários, então ninguém precisa dormir ali, naquele amontoado de hotéis de grandes redes desprovidos de charme. O lado canadense tem menor densidade de hotéis, turistas, lojas e outros artifícios turísticos, talvez até por isso seja mais simpático e tranquilo – além do que tem a melhor vista para as cataratas (no inverno as águas congeladas são um show à parte).

Um programa gastronômico concorrido e marcante é um almoço ou jantar na Skylon Tower, no Revolving Dining Room, com vista arrebatadora para as cataratas. O cardápio é antiquado, mas a cozinha acerta no preparo, e as harmonizações com vinhos locais são certeiras.

O voo de helicóptero é o mais desejado dos programas, e uma série de empresas, dos dois lados da fronteira, operam diariamente, das 9h até o fim de tarde – 17h, no inverno, e 19h, no verão. Uma das maiores é a Niagara Helicopters. Custa $ 144.

Maid of the Mist VI e os turistas com as capas azuis: cuidado com os equipamentos eletrônicos! – Foto de Bruno Agostini

Se o passeio aéreo é o programa mais espetacular, a aproximação de barco é o mais popular. São milhares de pessoas, diariamente, embarcando em algum dos muitos barcos chamados “Maid of the Mist” – a empresa americana que desde 1846 navega no local (de abril a outubro, com temperaturas amenas). Quase ninguém leva capa de chuva, de modo que quase que 100% dos passageiros está vestindo azul, comprando no local a proteção contra as águas que invadem o barco, e alcançam mesmo as partes cobertas. E aqui fica a dica: mesmo abrigada sob a capa de plástico a minha câmera parou de funcionar (mas voltou dois dias depois, quando secou, já de volta a Toronto, e depois de eu ter comprado uma nova). Melhor deixar equipamentos que não sejam a prova d’água abrigados em sacos plásticos, e dentro das bolsas. Custa US$ 18,25 (crianças por US$ 10,65 – em dólares americanos).

Outro tour muito popular é a pé, descendo até a parte baixa das cataratas, passando por escadas, corredores e passarelas. Na Table Rock House o passeio chamado Journey Behind the Falls faz sucesso, recebendo nada menos que 8 milhões de visitantes por ano (o tíquete custa $11,50, e $ 7,50 para crianças – em dólares canadenses).

 

O centrinho antigo de Niagara-on-the-lake é um charme – Foto de Bruno Agostini

NIAGARA-ON-THE-LAKE

A cidade de Niagara-on-the-Lake, a 27 quilômetros de Niagara Falls, combina boa estrutura, com respeitável time de hotéis, restaurantes, bares, sorveterias e lojinhas para gourmet nenhum botar defeito – e já que brasileiro não viaja sem interesse em compras, diante de nossos tributos abusivos, a cidade tem até um shopping, o Outlet Collection at Niagara, com excelente conjunto de marcas, a cerca de 20 quilômetros do centrinho histórico.

 

RESTAURANTES

A cidade de Niagara-on-the-Lake é famosa por ter bons restaurantes, numa invejável concentração para um lugar com menos de 20 moradores. Grande parte deles está concentrada na parte antiga da cidade, ocupando charmosas construções bem conservadas, um casario colorido, com avenidas largas e pouco movimento de carros, um convite a tranquilas caminhadas.

A loja Wine Country Vintners tem degustações orientadas – Foto de Bruno Agostini

O tour pode começar com uma degustação dos vinhos da Peller no Wine Country Vintners.

O trio de vinhos doces – Foto de Bruno Agostini

E a prova dos Icewines é um “wine flight” obrigatório – Riesling, Cabernet Franc e “oak aged” compõem  uma trilogia de vinhos doces que estão entre os melhores do mundo na categoria, com acidez, equilíbrio e exuberância de aromas (para ler mais sobre os vinhos da região clique aqui).

O Olde Angel Inn Pub & Restaurant, um dos mais antigos do país – Foto de Bruno Agostini

Um dos mais antigos pubs de todo o Canadá, o Olde Angel Inn Pub & Restaurant  não é apenas uma casinha simpática e histórica, mas sim um ótimo bar, com clima bem britânico, onde encontramos bem montada seleção de cervejas “on tap”, incluindo seis rótulos próprios; uma variada lista de vinhos locais e uma coleção de uísques na “Single Malt Scotch Selection”. O cardápio é típico de pub, com sopa de cebola, king crab, Shepherd’s Pie e uma aclamada Kidney Pie, a torta de rins que anda em alta, não só no Reino Unido, mas no mundo.

No rua principal, Queen’s Street, onde estão enfileirados muitos dos melhores restaurantes da cidade, está o mais aclamado deles, o Treadwell Farm to Table Cuisine, do chef Stephen Treadwell , que como o nome indica aposta nos ingredientes locais. Carnes curadas, embutidos, queijos, geleias são bem trabalhados pela cozinha, em receitas que não exageram na criatividade, puxando para o lado oriental, como o tempurá de atum enrolado em nori com maionese de wasabi ; ou as vieiras empanadas com barriga de porco, purê de cenoura e gengibre e molho de pimenta.

Outro clássico da gastronomia local é o Corks Niagara, com um daqueles cardápios de clássicos que podemos chamar de cozinha internacional. Assim, passamos por caesar salad, fritto di calamari, Shrimp Cajun Style, mezze, ceviche de polvo e fish ‘n’ chips.

A sorveteria Cows – Foto de Bruno Agostini

Para encerrar, um sorvete na Cows, uma bem conhecida no Canadá, com uma produção para lá de consistente, capaz de nos meses de verão deixar na porta da loja uma fila de clientes. . Num lugar quente, abafado e ensolarado como geralmente é o verão por lá, em oposição ao frio cortantes do inverno, o Cows acaba sendo um programa diário.

Também vale ficar de olho nos restaurantes dos melhores hotéis, logo abaixo.

 

HOTÉIS

Quando estive lá fiquei hospedado no hotel  Queens Landing, que me pareceu o melhor da cidade, muito procurada para casamentos, banquetes e outras festanças.  Junto à marina histórica da cidade, o hotel tem um dos grandes restaurantes da região, o Tiara, com vista para o lago e as embarcações. Também vale uma espiada, e um drinque ou vinho local, no Bacchus Lounge, um bonito bar, classudo, com boa oferta de bebidas e comidinhas. Os quartos são amplos e confortáveis. Uma diária custa a partir de R$ 500.

O histórico Prince of Wales Hotel – Foto de Bruno Agostini

O Queens Landing faz parte da pequena rede local chamada Vintage Hotels, à qual também pertence outro prédio que é ícone de Niagara-on-the-Lake, o Prince of Wales Hotel, inaugurado em 1864, construção vitoriana de esquina, talvez o mais vistoso edifício da Queens Street, a principal da cidade. Assim como o Queens Landing, mesmo quem não está hospedado ali deve visitar o hotel, nem que seja para o tradicional e “very British” chá da tarde servido nos salões pomposos. O Escabèche Restaurant serve um menu degustação de $ 85 altamente recomendável, definido como “A Niagara wine country culinary adventure to tempt your palate”. Uma diária atualmente pode custar na faixa de R$ 400.

Quem quiser economizar com hospedagem, mas ficando no centrinho histórico, uma boa opção é o Best Western Colonel Butler Inn, cujas diárias podem custar a partir de R$ 270.

VINÍCOLAS

Para ler a matéria, clique aqui.

* Preços em dólares canadenses

admin

Bruno Agostini é carioca, jornalista e fotógrafo. Especializado em turismo, gastronomia, vinhos e cervejas, viaja o mundo atrás de boas histórias, e da boa mesa. Com passagens por empresas como Jornal do Brasil, O Globo e Editora Abril, foi inspetor de restaurantes do Guia Quatro Rodas e é autor de livros, como guias de viagem, vinhos e restaurantes. Atualmente atua como freelancer, escrevendo para veículos especializados, entre jornais, sites e revistas, como Época Rio, Top Destinos, Carbono Uomo, Eatin’Out e Baco, entre outras. Contato: bagostini@gmail.com Instagram: @brunoagostinifoto

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