Roberta Subrack: emoções eu vivi

A chef e seu falafel, na Garagem da Roberta, no Leblon, que acaba de completar um ano – Foto de Bruno Agostini

Conheci o restaurante Roberta Sudbrack em 2007 (ou 2006), como inspetor do Guia Quatro Rodas. Como tal, fui incógnito. Ela foi até a mesa, se apresentou, falou dos pratos, de sua comida, e conversamos por alguns minutos.

O SudPicadinho, criado no Palácio da Alvorada, com ovo pochê, arroz, farofinha de cenoura e banana frita – Foto de Bruno Agostini

Depois daquele dia nunca mais eu enxerguei a comida da mesma maneira.

Os inacreditáveis gourgères – Foto dee Bruno Agostini

Tive a sorte de nos dez anos seguintes ser um privilegiado espectador daquela manifestação artística da culinária, uma cozinha com filosofia, referências estéticas, que pra mim sempre pareceu caminhar passos à frente dos demais. Enquanto ainda se falava de gastronomia molecular, quando todos achavam o máximo, e não enfadonho e falso, como agora, ela foi cozinhar quiabo.

Ostra vegetal, um filé de tomate gelado, com textura idêntica à do marisco – Foto de Bruno Agostini

Incansável na busca dos ingredientes, montou um time de fornecedores que tive a oportunidade de conhecer, e daí ficou mais fácil perceber o que se passava naquela cozinha encantada, de onde saíram muitos dos melhores pratos de toda a minha rodada vida de jornalista gastronômico.

A barriga de porco braseada, servida com bouillon de jamón – Foto de Bruno Agostini

Foram muitas das melhores refeições de toda a minha vida, logo, foram também alguns dos momentos culminantes dessa minha existência, porque a comida é das coisas mais importantes pra mim. No meu contexto particular, a Sudbrack tem a mesma importância do Tom Jobim, do Fernando Pessoa, do Picasso. Já derramei lágrimas de emoção comendo ali. Já senti arrepios de tanto prazer. Já fiquei desconcertado a provar pratos tão inusitados quanto deliciosos, tão aparentemente simples quanto complexos. A cozinha da Sudbrack me faz refletir.

O indescritível palmito bebê – Foto de Bruno Agostini

Com tudo isso, eu deveria estar triste com o fechamento da casinha alaranjada do Jardim Botânico, onde fui sempre muito feliz. Muito feliz mesmo.

Burratas, ovas, piracuí: simplicidade, originalidade, experimentação e amor definem a cozinha da chef – Foto de Bruno Agostini

Mas não estou. A vida vem em ondas como o mar, num indo e vindo infinito, como todos sabemos. Portas se abrem, ciclos se fecham. Faz parte da vida, e se não conseguirmos aceitar isso, seremos infelizes, provavelmente.

A queixada em longo cozimento, com o seu caldo, e farinha – Foto de Bruno Agostini

Seria o fim, ou um novo começo? Sempre são as duas coisas.

A chef com a sua equipe de cozinha – Foto de Bruno Agostini

Só posso agradecer por tudo.

Obrigado – Foto de autor desconhecido

E deixo alguns links, do antigo Rio de Janeiro a Dezembro, para alguns posts, que retratam essa linda trajetória.

Poesia na janela da cozinha – Foto de Bruno Agostini

Roberta Sudbrack (e mais RS: a nova coleção 2011: “Da terra e do Mar” (e um fotoblog com a coleção 2011 da chef). Leia também: “Quem me navega é o mar” e a matéria para revista a Wish Report da coleção 2010; e mais o menu 2012 da chef; e um jantar inesquecível:  Roberta Sudbrack e Castello di Ama: um encontro grandioso de cores, sabores, aromas e formas; e mais: “Feitos à mão”: a nova coleção de Roberta Sudbrack, o artesanato do paladar; e mais: Roberta Sudbrack, uma chef em revista: “Eu sou do camarão ensopadinho com chuchu” apresenta receitas e histórias dos bastidores e do processo de criação dos pratos)

E mais, uma entrevista do final do ano passado, quando ela já falava do fechamento da casa (fomos os primeiros a dar a notícia, na edição especial de final de ano do Prêmio Época.

“Não gosto das autoestradas, gosto muito mais das estradas vicinais”

admin

Bruno Agostini é carioca, jornalista e fotógrafo. Especializado em turismo, gastronomia, vinhos e cervejas, viaja o mundo atrás de boas histórias, e da boa mesa. Com passagens por empresas como Jornal do Brasil, O Globo e Editora Abril, foi inspetor de restaurantes do Guia Quatro Rodas e é autor de livros, como guias de viagem, vinhos e restaurantes. Atualmente atua como freelancer, escrevendo para veículos especializados, entre jornais, sites e revistas, como Época Rio, Top Destinos, Carbono Uomo, Eatin’Out e Baco, entre outras. Contato: bagostini@gmail.com Instagram: @brunoagostinifoto

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