Ostras, bloody mary e stout no Grand Central Oyster Bar, ícone de Nova York

Não se deve acreditar cegamente naquilo em que indivíduos e instituições falam a respeito de si mesmos. Mas há quem acerte: “Since 1913, the Oyster Bar has been doing one thing and one thing only: serving the freshest seafood in New York…”

Quem diz isso é o próprio Oyster Bar do Grand Central Terminal, em Nova York, uma dessas instituições que deixam a modéstia de lado, porque podem.

Come-se muito bem ali, com uma variedade colossal de peixes e frutos do mar, sempre muito frescos, preparados de diferentes maneiras num extenso e certeiro menu, que é impresso diariamente (veja no final deste post). O sofrimento ali é mesmo escolher. O que faz da experiência em grupo algo mais rico, porque assim podemos provar muita coisa.

Qualquer turista que visita Nova York e usa o transporte público, ou caminha por Midtown, acaba parando no Grand Central Terminal. Pra mim, passar por lá significa necessariamente ao menos uma paradinha rápida no Oyster Bar, verdadeira instituição da gastronomia dos EUA. Também contraria a ideia de que lugares turísticos são ruins e caros (o preço está na média de Manhattan, e eu sempre saio satisfeito com o que como, bebo e pago). O Oyster Bar é turístico, é grande e mesmo assim consegue ser muito bom, excepcional eu diria (tudo o que provei, em quatro visitas, estava de ótimo pra cima, incluindo os eggs benedicts com salmão atlântico defumado com molho holandês; o jumbo lump crabmeat com salada caesar; a Manhattan clam chowder; as lulas fritas com molho marinara; e o Maine lobster roll no brioche, com coleshaw , entre outras coisas que não me lembro).

Na última visita fui com a filha, depois de subirmos o Empire State, a umas seis quadras dali. Fomos brincar de comer ostras, e outras do gênero, como as clams de Long Island.

Sou desses caras que olham o menu, e eventualmente até escolho o que comer, mas o que faço mesmo – em lugares confiáveis, como neste caso – é pedir indicação ao garçom, sommelier ou maître, até como forma de avaliar o serviço (quando vem sugestão de pratos e bebidas muito caros, já logo descarto o malandro, porque como ensinam bem as escolas da área, coisas muito caras quem escolhe é o cliente).

Foi o que fiz. Pedi para ele escolher ostras e clams, e outros do gênero, uns dez ou doze pares, com estilos e origens variados.

Shot de bloody mary com ostras – Foto de Bruno Agostini

– Ok, deixe comigo. Posso sugerir um shot de bloody mary, com ostras?, perguntou.

– Por favor, ótima ideia.

–  E para beber?

– A Flagship Oyster Bar Stout.

– Boa escolha (como já contei aqui, no post de ontem, sobre combinações entre cervejas e ostras, inspirado nesta conversa).

Eu já havia provado blood mary com ostra, e fica ótima a combinação. Tão boa mesmo que podemos até jogar as ostras lá dentro, pra comer (ou beber, sei lá) tudo junto (vale também com vieiras, camarões, polvo e vários outros pescados, crus ou no vapor, incluindo lagosta e cavaquinha; e também com bacon: já provei com todos esses, e fica mesmo muito bom, é um drinque petisco, ótimo aperitivo).  Assim como um belo prato de ostras fica lindo quando acompanhado de um bom bloody mary, eu gosto especialmente dos mais condimentados.

A stout da casa, e uma seleção de ostras sugerida pelo garçom – Foto de Bruno Agostini

Depois veio o lindo prato de ostras, com Beavertail (Rhode Island), Blackberry Point  (Prince Edward Island), Naked Cowboy (Long Island), Sunset Beach e Nisqually (as duas últimas de Washington State).

Maria avaliando o bicho – Foto de Bruno Agostini, pai babão

Maria se amarrou. Olhava com certa desconfiança. Comia com talher. Cortava. Achava o bicho feio. Mas comeu suas 11, ao todo.

Depois vieram mais dois pratos.  Primeiro, com a GCOB Blue Point (Copps Island), a Blue Diamond (British Columbia) e a CuttyHunk (Massachusetts), mais uma rodada de ostras.

Uma rodada de clams, entre os melhores da noite – Foto de Bruno Agostini

Depois, com um trio de clams (de Long Island), pra encerrar: Littleneck, Cherry Stone e Top Neck (as três entre as minhas preferidas, sensacionais). As ostras, gostei especialmente da Nisqually e da Beavertail.

O pessoal lá gosta de jogar uns molhos picantes. Fica até muito bom, mas eu prefiro elas ao natural mesmo. Ainda mais com uma ótima stout no copo. Um lindo contraste.
Mas um limãozinho de vez em quando eu jogo, sim.

 

SERVIÇO
Grand Central Oyster Bar & Restaurant – Grand Central Terminal, 89 E 42nd St, NY 10017. Tel. (+01) 212-490-6650. www.oysterbarny.com Menu: clique aqui 

E mais:
Ostras com Stout, uma combinação perfeita, ainda mais no Oyster Bar do Grand Central Terminal

Uma reportagem da revista Boa Viagem, do Globo, sobre o centenário do Grand Central Terminal, assinada por Eduardo Maia

 

O menu do dia 23/01/2017 do Grand Central Oyster Bar – Foto de Bruno Agostini

admin

Bruno Agostini é carioca, jornalista e fotógrafo. Especializado em turismo, gastronomia, vinhos e cervejas, viaja o mundo atrás de boas histórias, e da boa mesa. Com passagens por empresas como Jornal do Brasil, O Globo e Editora Abril, foi inspetor de restaurantes do Guia Quatro Rodas e é autor de livros, como guias de viagem, vinhos e restaurantes. Atualmente atua como freelancer, escrevendo para veículos especializados, entre jornais, sites e revistas, como Época Rio, Top Destinos, Carbono Uomo, Eatin’Out e Baco, entre outras. Contato: bagostini@gmail.com Instagram: @brunoagostinifoto

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