7 Perguntas para Cristiana Beltrão, do Grupo Bazzar

Ipanema é um bairro de vanguarda e cosmopolita, alto astral, inquieto, questionador e coberto de referências afetivas e artísticas. Nascido e criado ali, o restaurante Bazzar – demais marcas do grupo – também é assim como Ipanema. Por trás deste caso de sucesso comercial está Cristiana Beltrão, que é a própria cara dos cardápios e produtos da empresa. Assim como Ipanema e o Bazzar, Cristiana é de vanguarda e cosmopolita, alto astral, inquieta, questionadora e coberta de referências afetivas e artísticas. Não conheço alguém que personifique tão bem o seu próprio restaurante quanto ela. Quem a segue nas redes sociais percebe isso claramente, e é delicioso acompanhar os seus relatos sobre comidas e viagens, e bebidas, e temas afins. Melhor ainda é o blog que ela mantém, onde encontramos algumas das mais deliciosas crônicas gastronômicas na língua portuguesa. Mais que a cara de Ipanema, Cristiana e o Grupo Bazzar são a cara do Rio de Janeiro, e neste aniversário de 452 da cidade, deixamos este pingue-pongue que fizemos com ela, por e-mail.

Cristiana Beltrão, do Grupo Bazzar: “. Nunca cogitei abrir franquias ou pensei em levar o Bazzar para outros estados. Tinha certeza de que iríamos perder foco e qualidade”

VCF –  Como nasceu o seu interesse pela comida?

Cristiana Beltrão – Foi com minha madrinha, cover de avó, que me ensinou a comer legumes me pedindo que os preparasse. Fiquei encantada a primeira vez que consegui tirar a baba de um quiabo. Ficava prosa e acabava comendo pra mostrar pros outros a minha habilidade. Antes disso, era pessoa “massa com pastel”. Gulosa, sempre fui. Quando tinha uns quatro anos, meu apelido era “fornalha”.

Cheeseburger de picanha do Bazzar Lado B, na Livraria da Travessa, em Ipanema – Foto de Bruno Agostini

VCF – De que forma este interesse pela gastronomia deu origem ao Bazzar, e depois aos cafés, à indústria de alimentos?

Cristiana Beltrão – Na verdade, foram duas coisas. Eu sempre quis empreender, sempre quis ter meu negócio. Quando casei, André era tão apaixonado por comida que saíamos pra jantar quatro vezes por semana. Abrir um negócio em torno da comida era, não só coerente com o economicamente viável no Rio, como também com nossas paixões. Assim surgiu o Bazzar. Os cafés nasceram da amizade com o pessoal da Travessa. Eles procuravam alguém para operar um negócio de comida na livraria e a Bel Lobo, arquiteta comum aos dois negócios, disse que devíamos fazer algo juntos. Começamos a conversar e a coisa deu muito certo. Desde que se respeite o negócio do outro, ambos crescem bem. A indústria veio da vontade de expandir a marca. Nunca cogitei abrir franquias ou pensei em levar o Bazzar para outros estados. Tinha certeza de que iríamos perder foco e qualidade. A ideia da indústria foi a de levar um pouco do Bazzar para além do Rio, controlando a qualidade num lugar só. Hoje exportamos pros EUA, França, Inglaterra e Japão e vendemos em mais de 700 pontos de venda no Brasil.

 

VCF – Quais são os próximos projetos do Grupo Bazzar? Algum novo restaurante ou produto?

Cristiana Beltrão  – Pela primeira vez cogitei abrir mais restaurantes, mas ainda a indústria consome muitos dos nossos esforços com seu crescimento. Se abrir, seria dentro de Ipanema. Estou, sim, cada vez mais bairrista. Quanto à indústria, nossa ideia é reforçar a brasilidade da marca e ser uma referência mundial em produtos brasileiros gourmet. Em dois anos, seremos totalmente orgânicos.

Queijo de cabra da Fazenda Géneve com creme de beterraba e castanha de caju, pasta de azeitonas, pistache, brotos e azeite de manjericão, uma das entradas do Bazzar, em Ipanema – Foto de Bruno Agostini,

VCF – Como você definiria o seu restaurante, em termos de filosofia e estilo?

Cristiana Beltrão – Jamais quis ter o restaurante de dez etapas, o da formatura da filha. Minha filosofia é a qualidade máxima que caiba numa verba e num lugar para o qual você gostaria de voltar todos os dias. Isso tudo, sendo a cara do Rio, e sempre com ingredientes da Estação. O maior prazer da vida é ouvir o cliente dizer “até amanhã”. Seremos sempre vanguarda, sempre cariocas, e sempre buscaremos desenvolver a economia do Estado, promovendo fornecedores de qualidade, daí a importância do nosso blog. Contamos a história das pessoas que plantam, que nos trazem os melhores insumos. Divulgar é importante porque, com um restaurante só, um bom fornecedor não faz verão.

 

VCF – Quando você viaja como escolhe os lugares em que vai comer?

Cristiana Beltrão  – Aí a coisa complica! Tenho sempre uns três guias de estilos diferentes (que vão desde comida de rua, até os prêmios mais importantes). Nunca confio num só e também nunca me pauto pelo novo, apenas. Essa corrida em torno do que acaba de inaugurar é coisa de foodie. Procuro ler publicações locais, na língua original, na hora da triagem. Sigo pessoas locais gulosas, obsessivamente, por uns seis meses, antes de embarcar. Sempre começo a busca a partir do que é mais típico e do que está na Estação, que é bem a filosofia do Bazzar. Daí por diante, as escolhas ficam mais fáceis.

O concorrido Bubble Bar, destaque da decoração do restaurante na Barão da Torre – Foto de Bruno Agostini

VCF – Qual é a melhor cidade do mundo para se comer?

Cristiana Beltrão – Não saberia ser definitiva, mas fiquei muito bem impressionada com Estocolmo. Era acerto todos os dias, do café da manhã até o jantar.

 

VCF – Para você, o que seria a refeição ideal?

Cristiana Beltrão – A feita com amigos, sem frescuras. Pode ser um belisco inesquecível num bar, uma sopa na Itália, um banquete importante, mas amigos são o tempero indispensável.

ATUALIZAÇÃO (em 15/03/2017)
Pedi à Cristiana para destacar três textos do seu blog, para publicarmos aqui os links. E foram eles:

– Estocolmo

– Funes

– Uma crônica divertida, com sua mãe como protagonista 

E mais: O Bazzar está de sommelier novo, desde a semana passada. Chama-se Ivo Arias. Diz aí, Cris:

– Ivo é argentino, de Mendoza. Criado no vinho mas com conceitos não tão bairristas. Entendeu nossa proposta e está animadíssimo. Trabalhou com a Dani Bravin, mas o restaurante dela fechou. Eu estava procurando, e ela me recomendou. Trabalhou muito em vinícolas e lugares na Argentina e depois veio pra São Paulo. Trabalhou no Bravin e no La Frontera – conta a empresária.

Não conheço o Ivo, mas já gostei.

admin

Bruno Agostini é carioca, jornalista e fotógrafo. Especializado em turismo, gastronomia, vinhos e cervejas, viaja o mundo atrás de boas histórias, e da boa mesa. Com passagens por empresas como Jornal do Brasil, O Globo e Editora Abril, foi inspetor de restaurantes do Guia Quatro Rodas e é autor de livros, como guias de viagem, vinhos e restaurantes. Atualmente atua como freelancer, escrevendo para veículos especializados, entre jornais, sites e revistas, como Época Rio, Top Destinos, Carbono Uomo, Eatin’Out e Baco, entre outras. Contato: bagostini@gmail.com Instagram: @brunoagostinifoto

One thought on “7 Perguntas para Cristiana Beltrão, do Grupo Bazzar

  • Março 2, 2017 at 2:07 pm
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    Simplesmente fantástico. Sou um grande fã da Cristina e do seu precioso trabalho. Um dia quem sabe ainda terei a honra de fazer parte da sua equipe.
    Parabéns amigo Bruno. Excelente entrevista. Dá gosto de ler!

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