A antiga Murycana, na Estrada Paraty-Cunha, reabre as porteiras em grande estilo, com restaurante e projetos sustentáveis e sócio-ambientais, e de volta ao seu nome original: Fazenda Bananal

 

Na última vez em que estive na Fazenda Murycana, em 2005 ou 2006, na estrada Paraty-Cunha, eu saí de lá deprimido. O lugar, onde já tinha sido feliz comendo feijoada e pururuca, isso há uns 20 anos, estava abandonado e caindo aos pedaços. Uma tristeza só… Tinha até um minizoo, com animais enjaulados, que sequer fui ver.

Fazenda Bananal, na estrada Paraty-Cunha: reinaugurada hoje – Foto de Bruno Agostini

Muita gente ainda associa a fazenda a um alambique, mas a Murycana nunca produziu pinga, era apenas uma marca, que engarrafava a bebida comprada a granel. Não era, e nunca foi, um produto de qualidade: era pega-turista (aliás, como andam boas as cachaças de Paraty, assunto para um post em breve).
Pois então, voltamos à antiga e famosa Murycana. Ontem a propriedade voltou a abrir as porteiras para o público. Agora batizada com o seu nome original: Fazenda Bananal. Pertence ao mesmo grupo de investidores que administra a Pousada Tankamana e o Hotel Solar do Império, em Petrópolis, e a Pousada Literária, em Paraty, além do Hotel Solar do Arco, em Cabo Frio, e da Pousada Tutabel, em Trancoso.

O restaurante, à esquerda, e o Centro de Visitantes, à direita – Foto de Bruno Agostini

O lugar ficou lindo, com projeto de Bel Lobo, que restaurou antigas construções, e ergueu outras, com um paisagismo formidável, formado por especies nativas da Mata Atlântica, lago, riacho e aquela passarinhada . Além do centro de visitantes, e do espaço para palestras, há um restaurante, horta orgânica, agrofloresta (com espécies variadas, de cacau a ingá, de couve-manteiga a palmito pupunha, de jussara a jabuticaba). Para ovos e carne, há galinhas; e para a produção de queijo, vacas e cabras.

O lago e as palmeiras – Foto de Bruno Agostini

Há monitores bem treinados para observação de pássaros, e uma série de atividades de perfil sócio-ambiental, de treinamento de agricultores locais a programas educacionais, com pequeno museu que conta a história da fazenda, e dos ciclos econômicos da região, desde os tempos coloniais.
Num momento como esse, em que o Brasil nos revolta e enche de vergonha, ver um projeto assim nascer é algo mesmo incrível, que dá alegria, esperança e fé no futuro. É de coisas assim que o país precisa.

SERVIÇO
Fazenda Bananal:  www.fazendabananal.com.br

 

admin

Bruno Agostini é carioca, jornalista e fotógrafo. Especializado em turismo, gastronomia, vinhos e cervejas, viaja o mundo atrás de boas histórias, e da boa mesa. Com passagens por empresas como Jornal do Brasil, O Globo e Editora Abril, foi inspetor de restaurantes do Guia Quatro Rodas e é autor de livros, como guias de viagem, vinhos e restaurantes. Atualmente atua como freelancer, escrevendo para veículos especializados, entre jornais, sites e revistas, como Época Rio, Top Destinos, Carbono Uomo, Eatin’Out e Baco, entre outras. Contato: bagostini@gmail.com Instagram: @brunoagostinifoto

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