Brasil x Suíça: terra da precisão, da retranca e do queijo vai tomar um chocolate do Brasil

Outro dia o hilário chef de cozinha Rafael Despirite, do paulistano Marcel, deu uma boa dica: “Deus criou o churrasco para você não fazer fondue de carne”. Verdade, fondue na Suíça é de queijo, e o nome vem de fundido (existe uma versão, sim, de carne: bourguignonne, com nacos cozidos no vinho tinto (Pinot Noir). Seu primo é a raclette. Campeões de pedidos em destinos de inverno no Brasil. Quando chega o frio, todo mundo quer dar uma de suíço, comer fondue, beber vinho: sim, na Suíça o consumo de vinho é altíssimo. Tão alto que embora tenham uma boa produção, quase não encontramos seus vinhos fora do país. Entre os brancos, a Chasselas é a principal referência, e a melhor pedida para esses pratos já citados de queijo. Porém, os vinhos suíços de que mais gosto são os tintos de Pinot Noir, que não deixam de ser outra boa escolha para fondue e variações.

Aliás, que saudades da casa da Suíça. Seu tartare, seus pratos suíços, o seu maître Volkmar Wendlinger, morto no ano passado. Mas vida que segue.

Embora tentem nos convencer que a Suíça tem um grande time, não boto a menor fé: acho que vão tomar um chocolate do Brasil. Com seus campos montanhosos funcionando de pasto, a Suíça tem um dos melhores leites do mundo, e por isso é referência quando o assunto é queijo e chocolate (mas chocolate de verdade, sabemos, não deveria ter leite, isso é um composto).

Além disso, e aí é que mora o perigo, a Suíça é o país da precisão, tanto que dali é que saem os relógios mais perfeitos do mundo. E o mesmo acontece com o time de futebol. São precisos na marcação, isso, sim, é sua virtude, e nunca foi fácil para o Brasil vencer o chamado “ferrolho”, sistema tática clássico adotado pelos suíços.

Espera-se apenas que, hoje, sua defesa esteja como os queijos do país: cheio de buracos.

 

 

admin

Bruno Agostini é carioca, jornalista e fotógrafo. Especializado em turismo, gastronomia, vinhos e cervejas, viaja o mundo atrás de boas histórias, e da boa mesa. Com passagens por empresas como Jornal do Brasil, O Globo e Editora Abril, foi inspetor de restaurantes do Guia Quatro Rodas e é autor de livros, como guias de viagem, vinhos e restaurantes. Atualmente atua como freelancer, escrevendo para veículos especializados, entre jornais, sites e revistas, como Época Rio, Top Destinos, Carbono Uomo, Eatin’Out e Baco, entre outras. Contato: bagostini@gmail.com Instagram: @brunoagostinifoto

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