Burger, fritas e IPA no J.G. Melon, em Nova York: fast food rápido e com comida de verdade

Depois de visitar o clássico J.G. Melon, bar que serve um dos mais festejados burgers de Nova York, fica difícil acreditar que o Mc Donald’s seja de fato um fast food.

O salão do J.G. Melon do Upper East Side – Foto de Bruno Agostin

Chegamos no salão escuro, com mesas e cadeiras de madeira, com toalhas quadriculadas, em verde e branco, e um balcão de bar à porta. Nas paredes, muitos quadros surrados pelo tempo, e o cardápio escrito em giz branco no quadro negro: uma decoração espontaneamente caótica, que parece ter sido pensada nos mínimos detalhes. Chega a lembrar um saloon do Velho Oeste, mas há pessoas de terno, famílias e grupos de amigos, e não vi nenhum chapéu de cowboy, e revólveres não são permitidos.

Desce uma Sierra Nevada IPA on tap, please, e quando ela chega, peço o meu lanche da tarde. Burger com fritas. Pois não demorou nem dois minutos para os dois pratos serem servidos, um fenômeno – que traz apenas um defeito: o queijo nem teve tempo de derreter… Muito mais fast que o Mc Donald’s. E muito mais food.

Com todo o respeito às versões com foie gras, ou aquelas repletas de ornamentos, incluindo ingredientes caros, um hambúrguer é, essencialmente, algo muito simples. Pão e carne, com complementos como picles de pepino, bacon, queijo, ketchup e mostarda. Só isso, e quase sempre esses são os meus preferidos. Os mais triviais.

O bacon chesse burger do J.G. Melon, que prima pela simplicidade – Foto de Bruno Agostini

Foi o caso do J.G. Melon, cujo mérito, além da sua simplicidade franciscana, está nos elementos, individualmente, e no conjunto harmonioso e saboroso que formam, com uma virtude fundamental para este sanduíche que anda cada vez mais rara: dá para se comer com as mãos.

O pão, macio e levemente aerado, absorve os sucos da carne, pedida no ponto “medium-rare”, algo como ao ponto para malpassado. Suculento, portanto, encharca o pão os seus sabores de carne chapeada. Com uma proporção não exagerada de gordura, mas tampouco econômica neste aspecto, a carne tem sabor e textura admiráveis, e um formato claramente artesanal, como uma polpeta moldada pelas mãos da nonna, com partes irregulares. O bacon dá a crocância necessária. E o pepino cortado em rodelas, servido ao lado, pode ser colocado sobre o bacon, ou mordiscado de vez em quando, dando aquele tapa de acidez.

Na primeira dentada a gente já percebe algo acima da média. Bem acima da média. Fui assim, até a metade, quando comecei a interferir no sanduíche, jogando ketchup e mostarda (ótima, densa, fortíssima).

Pedi mais uma IPA, até que a Maria se manifesta.

– Papai, essa batata tá muito boa. Acho que foi uma das melhores que eu já comi na vida. Olha só.

Então ela me mostra a bolacha crocante, sequinha, no ponto perfeito. Tenho que concordar, a batata também é ótima, e a melhor companhia para um bom burger.

Recomendo fortemente o J.G. Melon, e não só eu. Quando postei a foto nas redes sociais, vários amigos bons de garfo se manifestaram, com muitos elogiosos e louvores ao burger do J.G. Melon. Foi simples, foi rápido, e foi delicioso. Pode ir, sem medo de errar.

SERVIÇO
J.G. Melon – 1291 3rd Ave. Tel. +1 (212)744-0585. Site: jgmelonnyc.com

admin

Bruno Agostini é carioca, jornalista e fotógrafo. Especializado em turismo, gastronomia, vinhos e cervejas, viaja o mundo atrás de boas histórias, e da boa mesa. Com passagens por empresas como Jornal do Brasil, O Globo e Editora Abril, foi inspetor de restaurantes do Guia Quatro Rodas e é autor de livros, como guias de viagem, vinhos e restaurantes. Atualmente atua como freelancer, escrevendo para veículos especializados, entre jornais, sites e revistas, como Época Rio, Top Destinos, Carbono Uomo, Eatin’Out e Baco, entre outras. Contato: bagostini@gmail.com Instagram: @brunoagostinifoto

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