Dinamarca x Austrália: cozinha da moda mistura tradições germânicas e nórdicas

A Dinamarca é o mais germânico dos países nórdicos. Ou, talvez, o mais nórdico dos povos germânicos.

Neste entroncamento de fortes culturas culinárias, o país acabou virando referência da gastronomia mundial justamente por juntar esses dois mundos.

Peixes defumados e linguiças, cogumelos silvestres e frutinhas do bosque, picles e outras conservas, pães escuros com grãos ancestrais (com destaque para o rugbrød), cervejas e destilados de frutas traduzem essa mistura de tradições gastronômicas.

De fato a Dinamarca é a conexão entre a Escandinávia e o restante da Europa, e dessa influência alemã nasceram pratos nacionais dinamarqueses, como o stegt flæsk (toucinho grelhado com salada de batatas e salsa), o frikadeller (almondêgas) e também a imensa devoção às linguiças, a comida de rua mais popular da Dinamarca, encontrada em todo o país, com um nível de qualidade altíssimo.

Na capital, Copenhangue, as barraquinhas, quiosques e trailers que servem o sanduíche estão por toda a parte, e de uma maneira geral chamam a atenção a qualidade de toda a matéria-prima, do pão à mostarda.

Uma das mais famosas está junto á principal estação de trem, e é provável que você passará  por lá alguma vez, seja nos deslocamentos de e para o aeroporto bem como para as cidades vizinhas, como Odense e Malmö, que valem a investida. Chama-se Pølser  Hansen (Pølser significa linguiça), e é o balo sanduíche do alto deste post.

Com todo o respeito a Nova York e a Alemanha, onde a cultura do cachorro-quente também é fortíssima, os melhores que já comi foram na Dinamarca. Os mais famosos, porém, são os do Johns Hotdog Deli e do DØP.

de camarão, lagosta e ovo, em Copenhague: Foto de Bruno Agostini

Já o prato mais famoso da culinária dinamarquesa é legítimo representante dos países nórdicos, e é tecnicamente outro sanduíche: o smørrebrød (literalmente pão com manteiga). Sobre o rugbrød lambuzado da ótima manteiga produzida no país, e largamente consumida, são colocados pedaços de peixes ou carnes, ovos e temperos diversos, e são combinações simples, mas deliciosas, visto que os ingredientes são ótimos.

Nos últimos anos chefs como René Redzepi, eleito várias vezes o melhor do mundo, deram fama à cozinha local, e transformaram Copenhague numa meca de peregrinação de amantes da gastronomia de todo o mundo, muitos brasileiros, inclusive.

Prato vegetariano do Relae – Foto de Bruno Agostini

Para esta turma, há três restaurantes indispensáveis: Noma (o mais famoso e caro, dificílimo de reservar), o Geranium (quem vai do que é melhor, mas custa o mesmo: prepare-se para gastar uns R$ 1.500, R$ 2 mil, com bebidas) ou o Relae (mais barato, e incrivelmente delicioso, por entre R$ 800 e R$ 1.000, com bebidas), onde fiz uma refeição memorável, regada por incríveis vinhos naturais.

Quem não pode ir até lá, pode tentar um jantar no carioca Lasai, que talvez seja o restaurante brasileiro que tenha mais a ver com essa cozinha de vanguarda que encontramos na Dinamarca, baseada em ingredientes de qualidade, apresentados de maneira simples, sem desvirtuar o seu caráter.

Vai por mim.

 

admin

Bruno Agostini é carioca, jornalista e fotógrafo. Especializado em turismo, gastronomia, vinhos e cervejas, viaja o mundo atrás de boas histórias, e da boa mesa. Com passagens por empresas como Jornal do Brasil, O Globo e Editora Abril, foi inspetor de restaurantes do Guia Quatro Rodas e é autor de livros, como guias de viagem, vinhos e restaurantes. Atualmente atua como freelancer, escrevendo para veículos especializados, entre jornais, sites e revistas, como Época Rio, Top Destinos, Carbono Uomo, Eatin’Out e Baco, entre outras. Contato: bagostini@gmail.com Instagram: @brunoagostinifoto

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