Festa do Divino Espírito Santo, em Paraty: um final de semana delicioso, ao sabor de manifestações folclóricas e muita animação

A Igreja da Matriz decorada para a festa – Foto de Bruno Agostini

Paraty tem festa o ano inteiro, com o mais completo calendário de eventos das cidades do Rio de Janeiro, incluindo festivais culturais e gastronômicos e manifestações folclóricas e religiosas. Fotografia, cinema, música, dança, literatura… Semana da Cultura Negra, Semana Santa, Festa do Divino Espírito Santo, Folia Gastronômica, Festa de Santa Rita, Festa de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito… Encontro de Ceramistas, Circuito de Ciclismo, Festival da Cachaça… Festival Aves de Paraty, dedicado a observação de pássaros… Fora outras…

Artesanato reproduz as bandeiras do Divino que marcam as procissões – Foto de Bruno Agostini

Uma das minhas preferidas, sem dúvida, é a Festa do Divino, e também a Festa de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, que também representa a coroação, mas esta é tradição da comunidade de raízes africanas. Ambas são lindíssimas. Há procissões e missas, e muita animação pelas ruas da cidade, que fechada ao carros mantém aquela atmosfera antiga.

As pombas brancas estão por toda a parte, e Paraty se veste lindamente para a festa – Foto de Bruno Agostini

Tem quermesse, e doces caseiros, doados pelas famílias locais, sendo vendidas pelas ruas, em barraquinhas, com dinheiro revertido para as festas religiosas (todos os fins de semana do ano encontramos essas barracas no Centro Histórico). Há doces de todo o tipo, mas para ficar nas tradições locais experimente o manuê de bacia, um bolo de melado típico de Paraty (para ver uma receita, apresentada por Olivier Anquier, clique aqui).

A coroação do imperador – Foto de Bruno Agostini

O ritual, além das missas, da novena e das ladainhas, inclui a coroação do imperador, um auto de participação coletiva, que termina com um menino incorporando o personagem que antigamente era real. Há muitos tempos atrás, uma pessoa da comunidade era nomeada imperador. E, entre as suas prerrogativas de governo perecível estava a soltura de um preso. Hoje, ao lado da antiga cadeia de Paraty, durante a Festa do Divino acontece uma simulação, porque até o século 19 um preso de verdade era solto pelo imperador do Divino.

A banda destila pelas ruas do Centro Histórico – Foto de Bruno Agostini

Durante a Festa do Divino há bandas tocando pelas ruas, e o casario antigo se veste com os seus mais lindos enfeites, em azul, vermelho e o branco, da pomba que simboliza a celebração, e está em vários elementos de decoração. O clima favorece, já que maio e junho são meses com dias limpos, claros, com sol agradável e sem chuva.

Pombas na procissão – Foto de Bruno Agostini

Com tanta beleza não faltam fotógrafos, profissionais e amadores, registrando tudo. A festa dura dois fins de semana, com uma novena que se inicia, este ano, no dia 26 de maio. São nove dias de procissões. Depois, no domingo pela manhã (dia 5 de junho este ano) acontece a alvorada, quando fogos de artifício despertam a cidade ao amanhecer, convidando a todos para participar da festa.

Os cirandeiros de Paraty se apresentam durante a festa – Foto de Bruno Agostini

Geralmente há bons shows acontecendo na cidade durante a Festa do Divino, e muitas vezes em palcos armados na Praça da Matriz, e em endereços como o  Paraty 33, no Centro Histórico. Os cirandeiros de Paraty se apresenta pelas ruas antigas, e um grupo de Congada desce a serra de Cunha para cantar e dançar em frente à Praça da Matriz, dando contorno africanos à celebração católica, representando bem o nosso sincretismo religioso. Eles dançam em frente à igreja porque antigamente não podiam entrar.

O grupo de congada de Cunha desce a serra para cantar e dançar em frente à Igreja da Matriz – Foto de Bruno Agostini

Acho lindas as procissões, e admiro toda a liturgia religiosa. Mas o que mais gosto nesses dias é ver as apresentações do grupo de Congada de Cunha, que há mais de um século desce a serra para louvar São Benedito na festa do Senhor. E os cirandeiros.

O grupo de Congada – Foto de Bruno Agostini

E o domingo vai passando rapidamente. Com todo o respeito à Flip, e seus convidados especiais, e a tantos outros eventos maravilhosos que acontecem em Paraty durante o ano inteiro. Mas o dia mais legal de todo o calendário para se estar em Paraty é sem dúvida alguma o domingo culminante da Festa do Divino Espírito Santo.

 

 

 

 

 

 

admin

Bruno Agostini é carioca, jornalista e fotógrafo. Especializado em turismo, gastronomia, vinhos e cervejas, viaja o mundo atrás de boas histórias, e da boa mesa. Com passagens por empresas como Jornal do Brasil, O Globo e Editora Abril, foi inspetor de restaurantes do Guia Quatro Rodas e é autor de livros, como guias de viagem, vinhos e restaurantes. Atualmente atua como freelancer, escrevendo para veículos especializados, entre jornais, sites e revistas, como Época Rio, Top Destinos, Carbono Uomo, Eatin’Out e Baco, entre outras. Contato: bagostini@gmail.com Instagram: @brunoagostinifoto

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