Icewine e enoturismo na região canadense de Niágara

Garrafas de icewine na Inniskillin – Foto de Bruno Agostini
Garrafas de icewine na Inniskillin – Foto de Bruno Agostini

O famoso, raro e caro ice wine é um ícone da enologia canadense. Mas quem pensa que o adocicado – e, muitas vezes, sublime – vinho do gelo, produzido com uvas congeladas, colhidas em janeiro, quando a neve já cobriu os vinhedos do país da América do Norte, é o único bom representante da enologia local, está  muito enganado. O Canadá vem apresentando uma produção cada vez maior e mais consistente de espumantes, brancos, rosados e tintos. Um passeio pela região vinícola da Península de Niágara, bem perto de Toronto, a maior do país, é um bom ponto de partida para entender a variada produção local (para ver o site dos vinhos da região, clique aqui). Há quem faça passeios curtos, tipo bate-e-volta, a partir da principal cidade do Canadá, mas o melhor mesmo é dedicar pelo menos dois dias ao lugar, para explorar com calma a boa estrutura de visitação dos principais produtores de vinho locais e aproveitar a boa oferta de restaurantes, e os ótimos ingredientes produzidos ali, além de hotéis charmosos e românticos, e as lojinhas do simpático centrinho histórico da miúda Niagara-on-the-Lake, principal e mais agradável cidade de apoio para se visitar o pedaço. Sem deixar de incluir, é claro, uma escapada até as Cataratas do Niágara, a emblemática queda d’água na fronteira com os Estados Unidos, um dos pontos turísticos mais famosos do mundo.

Vinhedo do Château des Charmes - Foto de Bruno Agostini
Vinhedo do Château des Charmes – Foto de Bruno Agostini

A qualidade média cresceu imensamente nos últimos anos, assim como a quantidade de vinícolas e o número de “apellations” na Península de Niágara. Os melhores produtores, como Tawse, Le Clos Jordanne, Norman Hardie, Château des Charmes, Henry of Pelhan, Hillebrand Estates, Closen Chase e Jackson Triggs, apresentam linhas bastante atraentes, que podem ser encontradas em lojas e nos restaurantes de todo o país, mas especialmente ali na região onde são produzidos. Além de ice wines sublimes, que podem ser encaixados nas listas de melhores vinhos doces do mundo, sem sombra de dúvida, há espumantes delicados e rosados frescos, mas o grande destaque atualmente são os brancos elegantes e minerais, principalmente os produzidos com a Riesling e a Chardonnay, e os tintos, macios e leves, com acidez exemplar.

A Peller Estates tem uma das melhores estruturas para receber turistas, e ótimos rótulos - Foto de Bruno Agostini
A Peller Estates tem uma das melhores estruturas para receber turistas, e ótimos rótulos – Foto de Bruno Agostini

Boa parte das melhores e mais importantes vinícolas do Canadá está a poucos minutos de carro do centrinho de Niagara-on-the-Lake, que tem este nome por estar às margens do lago, no ponto em que o rio Niágara deságua nele, com panoramas privilegiados do espelho d’água que é palco de alguns bons programas náuticos. Uma das mais próximas é a Peller Estates, instalada em um imponente casarão, que abriga o centro de visitantes, com uma loja imensa e um excelente restaurante, um dos melhores da região. É possível fazer os tours regulares, que apresentam a propriedades aos visitantes, passando pelos vinhedos, pela área que abriga os tanques de fermentação e pela sala de barricas, onde parte dos vinhos amadurece antes de ser engarrafado.

Vinhedo da Inniskillin, com uvas dedicadas á produção de icewine - Foto de Bruno Agostini
Vinhedo da Inniskillin, com uvas dedicadas á produção de icewine – Foto de Bruno Agostini

Vinícola mais famosa do país, a Inniskilin é uma das principais referências para os turistas, com uma ótima estrutura de visitação, que inclui programas como a participação dos visitantes na colheita das uvas que vão produzir os ice wines da casa, no mês de janeiro. Com os vinhedos  cobertos de neve, é preciso usar casaco, cachecol, gorro e luva para se proteger do frio, que pode chegar facilmente aos 10º C negativos durante o período.

A sala de barricas do Château des Charmes - Foto de Bruno Agostini
A sala de barricas do Château des Charmes – Foto de Bruno Agostini

Imperdível sob todos os aspectos, turísticos e enológicos, o Château des Charmes combina uma ótima estrutura de visitação, com guias bem treinados e uma das melhores seleções de rótulos do país. Os turistas participam de degustações de vinhos de alta qualidade e com muita personalidade, passeiam pelos vinhedos e compram garrafas e muitos suvenires das lojinha. De fato é uma propriedade charmosa: a sede lembra um dos chateaux de Bordeaux, um prédio imponente, que abriga toda a produção da vinícola, com tanques de vinificação, sala de barricas e escritórios, bem como as áreas de visita, com o bar que serve os vinhos da casa em taça, servidos com ótima instrução técnica, e a simpática lojinha.Se for para escolher um só lugar para se comprar vinhos durante a viagem, pode ser aqui. O Chardonnay Paul Bosc Estate Vineyard é um branco sensacional para os que apreciam o estilo barricado enquanto o Gewürztraminer St. David’s Bench Vineyard seduz os apreciadores do vinho apimentado, fresco e floral, típicos desta casta. Entre os tintos, o Equuleus Paul Bosc Estate Vineyard, blend típico bordalês, com Cabernet Sauvignon (50%), Cabernet Franc (25%) e Merlot (25%) apresenta o potencial do país para a produção de exemplares maduros e profundos, enquanto o Cabernet Franc St. David’s Bench Vineyard é um achado, um vinho fino, elegante e muito gastronômico, com ótimo potencial de guarda: vale a pena investir em uma garrafa mais antiga, com uns sete ou oito anos.

Por enquanto a única vinícola canadense que chega ao Brasil regularmente, importada pela Casa Flora, é a Cave Springs Cellars.

 

SERVIÇO

Cave Springs –

Château des Charmes –

Inniskillin –

Peller State –

 

admin

Bruno Agostini é carioca, jornalista e fotógrafo. Especializado em turismo, gastronomia, vinhos e cervejas, viaja o mundo atrás de boas histórias, e da boa mesa. Com passagens por empresas como Jornal do Brasil, O Globo e Editora Abril, foi inspetor de restaurantes do Guia Quatro Rodas e é autor de livros, como guias de viagem, vinhos e restaurantes. Atualmente atua como freelancer, escrevendo para veículos especializados, entre jornais, sites e revistas, como Época Rio, Top Destinos, Carbono Uomo, Eatin’Out e Baco, entre outras. Contato: bagostini@gmail.com Instagram: @brunoagostinifoto

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