Missão regaste: como consegui recuperar um casaco perdido no Le Bristol, em Paris, depois de dois anos e meio

Suíte do Le Bristol, em Paris – Foto de Bruno Agostini

Passei uma noite em Paris, em novembro de 2014. Dormi magnificamente bem no hotel Le Bristol, um dos que mais gosto na capital francesa, onde já me hospedei três vezes (neste dia de chegada, almocei no Le Cinq, foi incrível, e contei essa história neste post aqui). Fiquei uma única noite. Antes de sair para o jantar de gala da associação Relais & Châteaux, que exigia terno e gravata, deixei meu casaco estrategicamente sobre a minha mala, como quem diz à camareira: “Não mexa em mim”.
Pois ela, na melhor das intenções, com toda a certeza, deve ter colocado a jaqueta no armário. Deve, porque nunca mais a vi…
Quando cheguei ao Brasil, desfiz as malas, e dei falta do casaco, e me lembrei que não estive com ele durante toda a viagem. Logo, concluí que deveria ter ficado no hotel.
O casaco tem pouco valor, senão pelo aspecto sentimental. Foi meu pai quem me deu, depois de usá-lo por muitos anos.
Escrevi para o concierge, e eles confirmaram: estava lá. Poderiam me mandar, ao custo de 15 euros para o “bellboy”, mais as despesas de postagem. E ainda deveria passar o número do meu cartão, por e-mail, coisa que jamais faço (quando é o caso, passo pelo telefone). Achei muito caro e trabalhoso, e como sempre tenho amigos passeando por Paris, pensei que poderia pedir alguém, algum dia, para buscar para mim, mas nunca tive coragem de fazer isso, porque não vou pedir para alguém para ir a um hotel buscar um casaco usado no meio de uma viagem a Paris. Não gostaria que me pedissem isso, logo, não pediria a ninguém.
O tempo foi passando, passando, passando… e nada.
Até que um dia, li uma reportagem sobre objetos deixados em hotéis. Nela, vários hotéis diziam que a praxe nesses casos é guardar por um ano, e se não for reclamada e resgatada, a peça é doada à caridade. Pronto. Vai proteger alguém que precisa do frio de Paris.
Até que, na última terça-feira, vi que minha querida amiga Renata Araújo, do site You Must Go, produzido por ela e uma equipe de primeira linha, estava hospedada no hotel. Então, mandei uma mensagem para ela, contando o caso. Frisando para que ela não tivesse trabalho com isso. Mas de longe vi que ela se empenhou, até que ontem ela me escreveu: “Acharam o seu casaco!!!!!”.
Senti o entusiasmo dela na ênfase das exclamações. Mandei um e-mail para o hotel, autorizando ela a pegar o casaco. E em breve ele retornará ao Brasil.
Fiquei feliz com a história, com o esforço da amiga, e em ter de volta o casaco, nesta ordem.

admin

Bruno Agostini é carioca, jornalista e fotógrafo. Especializado em turismo, gastronomia, vinhos e cervejas, viaja o mundo atrás de boas histórias, e da boa mesa. Com passagens por empresas como Jornal do Brasil, O Globo e Editora Abril, foi inspetor de restaurantes do Guia Quatro Rodas e é autor de livros, como guias de viagem, vinhos e restaurantes. Atualmente atua como freelancer, escrevendo para veículos especializados, entre jornais, sites e revistas, como Época Rio, Top Destinos, Carbono Uomo, Eatin’Out e Baco, entre outras. Contato: bagostini@gmail.com Instagram: @brunoagostinifoto

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *