Os três tipos de torresmo do Bar do Bigode e Xororó: o ouro “gordo” das Minas Gerais, em Juiz de Fora

O torresmo é um ingrediente fundamental na cozinha brasileira. É parte indissociável da feijoada e aparece em várias outras receitas, especialmente em Minas Gerais. Mas geralmente a pele de porco frita é sempre elemento coadjuvante, nunca a estrela principal (mas há honrosas exceções, geralmente em lugares relativamente novos, como o Mocotó, em São Paulo; ou a Borracharia Gastrobar, em Belo Horizonte). É assim em quase todos os lugares, exceto no Bar do Bigode e Xororó, que deu a essa iguaria a condição de estrela principal. Esse boteco simples com mesas de plástico está no Centro de Juiz de Fora, a cerca de 20 minutos da BR-040. Uma parada estratégica para os que visitam as cidades históricas mineiras: em uma hora e meia dá para ir até lá, comer uns torresmos, levar mais alguns para casa e seguir estrada afora. E como vale a pena desviar a rota.

O tentador balcão aquecido que guarda os torresmos – Foto de Bruno Agostini

O bar inaugurado em 1975 se autoproclama como “O melhor torresmo do Brasil”. E não preciso conhecer qualquer outro para assinar embaixo. O “ouro gordo” mineiro fica exposto no balcão aquecido à entrada do bar, uma vitrine dourada que atrai a clientela na rua.

O torresmo de ponta, com limão – Foto de Bruno Agostini

A casa serve três tipos de torresmo: o menorzinho, aquele que é usado na feijoada, que podemos comer feito pipoca; a chamada tira, uma fatia com um dedo de espessura, que tem a casca crocante e um interior carnudo e suculento, e a ponta, a parte mais nobre, com menos gordura e um pedaço mais consistente de carne. Um espetáculo.
– Preparamos entre 300 e 500 quilos de torresmo por dia – diz o rapaz que me atende no balcão, enquanto usa uma travessa de alumínio para esmagar o torresmo que vai coroar o meu caldinho de feijão.
O torresminho menor é vendido em porções de vários tamanhos, e com R$ 1 já dá para comprar um pouco. A tira custa R$ 4 e a ponta, R$ 8. Quem quiser pode comprar a tira ou a ponta semipreparados imersos na gordura: é só chegar em casa e fritar. Além da iguaria suína o restaurante serve vistosas porções de outras gostosuras mineiras, como a vaca atolada, e o chamado três em um, que combina ponta de torresmo, angu e mandioca.

SERVIÇO
Bar do Bigode e Xororó: Rua Oswaldo Aranha 45, Centro, Juiz de Fora. Tel. (32) 3218-7097. Quem quiser ver a página deles no Facebook pode clicar aqui.

admin

Bruno Agostini é carioca, jornalista e fotógrafo. Especializado em turismo, gastronomia, vinhos e cervejas, viaja o mundo atrás de boas histórias, e da boa mesa. Com passagens por empresas como Jornal do Brasil, O Globo e Editora Abril, foi inspetor de restaurantes do Guia Quatro Rodas e é autor de livros, como guias de viagem, vinhos e restaurantes. Atualmente atua como freelancer, escrevendo para veículos especializados, entre jornais, sites e revistas, como Época Rio, Top Destinos, Carbono Uomo, Eatin’Out e Baco, entre outras. Contato: bagostini@gmail.com Instagram: @brunoagostinifoto

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