Parm, em Nova York: a cozinha ítalo-americana em sua melhor forma

Meatballs e italian fries – Foto de Bruno Agostini

Sanduíches são uma instituição de Nova York, dos hot dogs de qualquer esquina aos burgers encontrados em toda a parte, aos pastramis e bagels com salmão e cream cheese das delis, até os lobster rolls importados do Maine e os “gyros” de rua servidos pelas comunidades árabes (gosto dos Halal Guys).  O Parm não serve nenhum dos icônicos exemplos citados, e mesmo assim se colocou como referência quando o assunto é sanduíche em Manhattan.

São quatro lojas, duas em Downtown (na Mulberry Street e outra no Batery Park), uma em Williamsburg e outra no Upper West Side, onde estive depois de visitar o American Museum of natural History, que está a uma caminhada de umas dez quadras.

O salão do Parm, pouco antes de ficar lotado – Foto de Bruno Agostini

Chegamos cedo, e o lugar logo lotou. Ou seja, quem pretende ir depois das 20h, melhor reservar uma mesa, ou espere uma fila, o que é ruim no inverno frio de Nova York, já que geralmente os clientes aguardam do lado de fora.

Lá dentro o clima é jovial, com serviço bem simpático e informal, mas superprofissional, bem nova-iorquino. A comida sai em uma velocidade espantosa, eficiência também que é uma marca da cozinha desta cidade cosmopolita em todos os aspectos, mas ainda mais na gastronomia: o que você quiser comer ou beber você encontra ali, numa oferta sem igual no mundo, entre bares, restaurantes, delis, cafés, pizzarias, lojas especializadas, barracas de rua e food trucks.

Como o nome sugere, o Parm é um restaurante ítalo-americano, o que significa um repertório de pratos anglófilos como “mozzarella sticks”, “meatballs” , “baked clams” e “buffalo cucumbers”, entre muitas receitas italianas com sotaque ianque, o que é também muito típico nova-iorquino, de populosa comunidade “azurra”.

Pra beber, não tem muita coisa, mas o suficiente, na medida exata para se ter uma variedade de drinques, vinhos e cervejas capazes de agradar os mais diferentes paladares. Na coquetelaria, Negroni, Moscow Mule e Manhattan são os destaque da enxuta lista de clássicos. Pra beber, mais variações ítalo-americanas de cerveja, em garrafa e on tap: há Peroni, Lagunitas IPA, Blue Point Seasonal e Schafer, entre outras poucas e boas. Entre os vinhos, nove são vendidos em taça, com prosecco, sangiovese toscano e exemplares californianos, como  Stillman Creek, do Alexander Valley; ou de Washington, como o Sauvignon Blanc, Barnard Griffin, de Columbia Valley. Em garrafa, são menos de 20 rótulos, mas bem escolhidos e variados em termos de estilo, entre espumantes, brancos “light and fresh” (como o Friulano, Scarpetta, Friuli-Venezia Giulia) e “full and lush” (o Muller Thurgau, Pojer e Sandri, Trentino-Alto-Adige,) e tintos “bright and racy” (o Pinot Noir, Gravelly Ford, CA) e “big and bold” (o Cabernet Sauvignon, Bacchus Cellars, CA).

Ficamos na frente da cozinha, e tudo o que saía de lá era bonito, vistoso. A fome era pouca, o almoço tinha sido em dose dupla, primeiro o Marea, depois o Milos. Pedimos “italian fries”, pra Maria, e “meatballs”, pra mim. As batatinhas muito bem fritas, em forma de palito fino, vinham temperadas com pimenta calabresa, queijo parmesão e um toque de salsinha; e as almôndegas eram  grandes, e muito boas, imersas no bem sucedido molho de tomate da casa, feito com as latas de san marzano que enfeitam o ambiente, e que devem ter inspirado a decoração de lugares como a pizzaria Bráz. Enfim, tudo isso pra dizer que o Parm é um lugar altamente recomendável, tipo bom, bonito e barato (isso pros padrões de Nova York), e que além de tudo consegue ser mais ligeiro que um fast food. Quem me deu a dica, assim como muitas, foi o amigo Gabriel Cavalcante:

Chicken Parm – Foto de Gabriel Cavalcante (no Instagram: @gabrieldamuda)

“Cara, eu gosto do Parm porque é um lugar rápido. O chicken parm é uma obrigação pra mim. Sanduba de frango à pamegiana com molho de tomate incrível, manjericão, e queijo derretido. Sempre que vou, sento no balcão, peço o drinque do mês e peço pra eles me indicarem uma entrada.

As lulas com molho picante – Foto de Gabriel Cavalcante (no Instagram: @gabrieldamuda)

Essas lulas com esse molho picante são perfeitas para abrir o apetite. Caem bem com um chope. Da última vez lembro de ter bebido um Bronx Pale Ale”.

Fica a dica.

SERVIÇO
Parm: 235 Columbus Ave. Tel. (+01) 212-776-4921. www.parmnyc.com

 

admin

Bruno Agostini é carioca, jornalista e fotógrafo. Especializado em turismo, gastronomia, vinhos e cervejas, viaja o mundo atrás de boas histórias, e da boa mesa. Com passagens por empresas como Jornal do Brasil, O Globo e Editora Abril, foi inspetor de restaurantes do Guia Quatro Rodas e é autor de livros, como guias de viagem, vinhos e restaurantes. Atualmente atua como freelancer, escrevendo para veículos especializados, entre jornais, sites e revistas, como Época Rio, Top Destinos, Carbono Uomo, Eatin’Out e Baco, entre outras. Contato: bagostini@gmail.com Instagram: @brunoagostinifoto

One thought on “Parm, em Nova York: a cozinha ítalo-americana em sua melhor forma

  • Fevereiro 5, 2017 at 10:58 am
    Permalink

    Morei lá um ano na década de 80, lobster rolls do Maine, que delicia!! Não conheço o Parm, com o teu texto e credibilidade, já entrou pra listinha! Boa!

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *