Peru x Dinamarca: a Copa do Mundo da Cozinha #agostininacopa

Peru e Dinamarca jogam hoje, estreando na Copa. Mas os dois países fazem bonito mesmo é na cozinha. Ambos são protagonistas na gastronomia mundial, ganhando destaque nas últimas décadas ao combinar duas coisas: a valorização de seus ingredientes e técnicas culinárias ancestrais e o investimento pesado na comida como elemento de sustentabilidade, atração de turistas e investimentos.
De um lado de campo, Gastón Acurio, capitão da seleção sul-americana, um embaixador informal do país, e potencial candidato a presidente – vitória certa, caso aconteça. Já o adversário vem com René Redzepi, envergando a braçadeira de capitão. Curioso notar que a batata, nascida nos Andes peruanos e ingrediente fundamental para a sobrevivência de vários povos europeus durante períodos de guerras, doenças e fome. Se no Peru encontramos milhares de variedades, na Dinamarca fazem sucessos versões diminutas, que podem ser esquecidas no campo para “apodrecer”, ganhando sabores terrosos e intensos.

Um smörgåsbord de camarão, lagosta e ovo, no restaurante Ida Davidsen, em Copenhague: Foto de Bruno Agostini

As equipes de completam. Pisco contra Aquavit. Ceviche e arenque marinado e defumado; e  – pensando bem – a causa, como a sua base de purê de batatas coberta por pescados bem condimentados não deixa de ser um primo não tão distante assim do smörgåsbord, o prato nacional da Dinamarca e outros países nórdicos: uma base de pão com coberturas diversas, geralmente com pescados, ovos e outros complementos.
Por mais distantes que estejam, e por mais incrível que pareça. Há muito mais semelhanças.
Até pouco tempo Lima era apenas uma porta de entrada para os visitantes chegarem até Machu Pichu, e a Dinamarca estava longe de ser um dos destinos mais concorridos da Europa. Pois a comida mudou isso, e hoje milhares de turistas visitam os dois países para provar a cozinha local.

A causa tumbesina, em formato distinto, enrolada, feita com batata amarela bem moldada, no El Mercado, em Lima – Foto de Bruno Agostini

Comi maravilhosamente na Dinamarca, mas os melhores lugares são muito caros. E posso dizer, sem medo de errar, que no Peru comemos bem em qualquer biboca, e comendo pouco. Seguramente, hoje, o Peru é – ao lado do México e do Vietnã, os três destinos gastronômicos do mundo. Pela originalidade, por ainda estarem sendo desvendados, e porque a gente come magnificamente bem comendo pouco.
No mais, neste confronto entre incas e vikings, eu fico com o Peru. Aliás, entre nórdicos e latinos, vou sempre torcer pelos latinos. A não ser que o jogo seja Argentina x Islândia. Farið, Ísland! ofan á þá!!! Ou seja: Vai, Islândia. Pra cima deles!!!

Na foto de abertura deste post, ceviche de mariscos no restaurante La Mar, em Lima: Foto de Bruno Agostini

admin

Bruno Agostini é carioca, jornalista e fotógrafo. Especializado em turismo, gastronomia, vinhos e cervejas, viaja o mundo atrás de boas histórias, e da boa mesa. Com passagens por empresas como Jornal do Brasil, O Globo e Editora Abril, foi inspetor de restaurantes do Guia Quatro Rodas e é autor de livros, como guias de viagem, vinhos e restaurantes. Atualmente atua como freelancer, escrevendo para veículos especializados, entre jornais, sites e revistas, como Época Rio, Top Destinos, Carbono Uomo, Eatin’Out e Baco, entre outras. Contato: bagostini@gmail.com Instagram: @brunoagostinifoto

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *