Prêmio Época: os melhores do Rio em 2016

A vida de jornalista free lancer não é fácil. A gente precisa se virar, e entre tantos tipos de trabalho mais diversos, escrevemos matérias, fotografamos, editamos livros, damos aulas e palestras, prestamos consultorias, traduzimos textos, produzimos conteúdos para mídias sociais e mais um monte de coisa. A rotina é bem doida, por assim dizer. Entre tantos afazeres que realmente me dão grande prazer, um dos que  mais gosto e me orgulho é cuidar da edição do Prêmio Época, que elege os melhores da gastronomia carioca.

Os vencedores do Prêmio Época 2016, no palco do auditório de Furnas - Foto de Bruno Agostini
Os vencedores do Prêmio Época 2016, no palco do auditório de Furnas – Foto de Bruno Agostini

O primeiro passo é montar o júri. Buscar nomes variados, com pessoas idôneas que frequentam os bares e restaurantes da cidade. E pedir que votem livremente, mas com cuidado e atenção. Recebidos os votos, precisamos fazer a contagem – muito mais trabalhosa do que pode parecer, porque não pode haver erro, porque é preciso recontar, e recontar de novo, e pedir pra mais alguém conferir. Eleitos os vencedores, vem a parte mais trabalhosa. Marcar as fotos. São cerca de 40 lugares diferentes, e temos apenas dez dias do fotógrafo, no caso o craque Alexander Landau. Ou seja, são quatro casas em média por dia, e precisamos marcar as sessões seguindo a lógica geográfica da cidade, os horários muito restritos de chefs, e suas casas. Depois, falta a parte mais deliciosa. Fazer as entrevistas e sentar para escrever os textos, é o período mais intenso de trabalho, mas o bom é que já não dependemos de mais ninguém, de mais nada. É o prazer maior de um jornalista, esse processo sempre corrido de escrever, escrever, escrever.

A capa da edição 2016 do Prêmio Época - Tábua de antipasti do Stuzzi - Reprodução de Foto de Alexander Landau
A capa da edição 2016 do Prêmio Época – Tábua de antipasti do Stuzzi – Reprodução de Foto de Alexander Landau

Acredito que o júri tenha sido muito competente em suas escolhas. Mas, este ano, destaco algumas vitórias:

  • O chef Thomas Troisgros, como o melhor do ano: já faz um tempo que ele vem se destacando à frente da cozinha do Olympe, que está melhor que nunca. Mas foi ao longo deste 2016 que ele emplacou o seu primeiro menu autoral, mostrando saber muito bem liderar e estimular a cozinha da casa no Jardim Botânico. Não à toa, quando entrevistei o seu pai, Claude, a respeito da fase do filho, ele disse, com convicção: “O Thomas vem fazendo um belo trabalho, tanto na criação quanto na execução dos pratos e na liderança da cozinha. Estou bem orgulhoso”.
  • Roberta Sudbrack, como melhor restaurante brasileiro: A chef Roberta Sudbrack sempre trabalhou em cima dos ingredientes brasileiros, mas pela primeira vez que eu saiba ela vence nesta categoria. E ele mostrou muito orgulho disso, no seu Instagram (sem contar ainda que ela venceu ainda como melhor food truck, SudTruck, e melhor sanduíche, com a Garagem da Roberta): “Parabéns a melhor equipe de todos os tempos: SudEquipe!!!!! Por fazerem sempre, onde quer que estejam, e o que quer que façam – do melhor sanduíche, ao mais belo tortellini de batata doce, pão queimado e taioba ou o cachorro quente mais amado do Brasil @suddogrs – com tanto amor, comprometimento, coragem e propósito! Arrasaram por todos os lados: Melhor sanduíche do Rio de Janeiro: @garagemdaroberta! Melhor Food Truck do Rio de Janeiro: @sudtruck! Melhor restaurante brasileiro (brasileiro!!!): @robertasudbrack!!!! Eu tenho muito orgulho de fazer parte desta equipe! Obrigada por me deixarem fazer parte dessa história linda e sem precedentes…”
  • Pobre Juan, como melhor steak house: Já faz pelo menos três anos que eu tenho comido as melhores carnes do Rio de Janeiro nas duas unidades da rede paulista, que trata com absoluto rigor o que vai para a sua grelha. Desde os cortes regulares, como o “Pobre Juan”, o ojo de bife e o asado de tira, até as edições especiais, como a visita do mais famoso açougueiro do mundo, o italiano Dario Cecchini, até festivais com lotes limitados de gados especiais e raros por aqui, como o Ruby Devon, Shorthorn e o wagyu dry aged.
  • Pici e Tiago Berton, como melhor italiano, em conta e chef revelação: Num momento de crise econômica, como o atual, é bom ver que o júri reconhece a Pici Trattoria com dois prêmios, uma combinação raríssima de acontecer. Um restaurante que vence em sua categoria, e também como melhor custo-benefício. De fato, com menus de almoço a R$ 38, com entrada, prato principal e sobremesa, isso em plena Nossa Senhora da Paz, coração de Ipanema, é um feito e tanto. Os preços dos vinhos podem estar abaixo das importadoras, e os menus de jantar tem pratos com preços justíssimos, com entrada na faixa dos R$ 20, e pratos por entre R$ 40 e R$ 60 (o ótimo espaguete à carbonara custa R$ 58).
Um dos novos pratos criados por Thomas Troisgros, para o Olympe - Foto de Bruno Agostini
Um dos novos pratos criados por Thomas Troisgros, para o Olympe – Foto de Bruno Agostini

Abaixo, reproduzo o texto de abertura de ‘Restaurantes’.
“Eles estudaram juntos em Nova York e em 2017 completam 15 anos de amizade. Rafa Costa e Silva, do Lasai, eleito o Melhor Restaurante, e Thomas Troisgros, do Olympe, o Chef do Ano e  Melhor Francês do Rio, estão entre os destaques do júri de ÉPOCA Rio. Cada vez mais identificada com os ingredientes nacionais, a chef Roberta Sudbrack venceu na categoria Melhor Brasileiro. No ano dos Jogos Olímpicos, que estimularam a inauguração de vários restaurantes, a novata Pici Trattoria abocanhou dois troféus: Melhor Italiano, desbancando o clã Fasano – que venceu em Lugar para Ver e Ser Visto –, e também como o Mais em Conta. A Pici, comandada por Thiago Berton, também teve votos como Melhor Novidade, mas neste quesito o campeão foi o Massa, do chef Pedro Siqueira. Na lista, há espaço para antigas referências voltarem a se destacar, caso do Celeiro, com sua Cozinha Saudável, e vencedores inéditos, caso do Pobre Juan, Melhor Steak House.”

Para ler os textos, ilustrados com lindas imagens do fotógrafo e amigo querido Alexander Landau, clique aqui.

OS VENCEDORES

Gema de ovo caipira sobre creme de inhame e coco e crocante de carne-seca: ícone do Lasai, o melhor restaurante do abo, segundo o júri da revista Época - Foto de Bruno Agostini
Gema de ovo caipira sobre creme de inhame e coco e crocante de carne-seca: ícone do Lasai, o melhor restaurante do abo, segundo o júri da revista Época – Foto de Bruno Agostini

RESTAURANTES
1) melhor restaurante – Lasai (foto)
2) brasileiro – Sudbrack
3) carnes – Pobre Juan
4) churrasco rodízio – Fogo de Chão
5) carta de vinhos – Aprazível
6) asiático – Mee
7) japonês – Sushi Leblon
8) francês – Olympe
9) frutos do mar – Satyricon
10) italiano – Pici
11) contemporâneo – Oro
12) em conta – Pici
13) pizza – Capricciosa
14) português – Gruta de Santo Antônio
15) comida saudável – Celeiro
16) sobremesas – Eça
17) com vista – Aprazível
18) para namorar – Bazzar
19) novidade – Massa
20) para ver e ser visto – Gero

Eleito na categorias "melhor carta de cervejas" o Herr Pfeffer foi das primeiras casas do Rio a apostar nas latas, e tem sempre lançamentos em primeira mão (na imagem as imperdíveis porções de patê da casa) - Foto de Bruno Agostini
Eleito na categorias “melhor carta de cervejas” o Herr Pfeffer foi das primeiras casas do Rio a apostar nas latas, e tem sempre lançamentos em primeira mão (na imagem as imperdíveis porções de patê da casa) – Foto de Bruno Agostini

BARES
1) chope – Botto Bar
2) cerveja – Herr Pfeffer (na foto)
3) hambúrguer – Bar do Momo
4) drinques – SubAstor
5) cachaça – Sat’s
6) comida de boteco – Da Gema
7) gastropub – Stuzzi
8) boteco tradição – Paladino
9) PF – Madrid
10) petiscos – Bar da Frente

 

Os ovos marroquinos do Empório Jardim: melhor café da manhã - Foto de Bruno Agostini
Os ovos marroquinos do Empório Jardim: melhor café da manhã – Foto de Bruno Agostini

GULOSEIMAS
1) Doces – Kurt
2) Bolos – Sorrelle Café
3) Sorvetes – Vero
4) Café da Manhã – Empório Jardim (foto)
5) Salgado – Chez Anne
6) Suco – Bibi
7) Sanduíche – Garagem Da Roberta
8) Chocolate – Aquim
9) Evento – Junta Local
10) Food Truck – SudTruck

E mais…

O picadinho de Roberta Sudbrack: o melhor do Rio - Foto de Bruno Agostini
O picadinho de Roberta Sudbrack: o melhor do Rio – Foto de Bruno Agostini

CLÁSSICOS DO RIO
1) Feijoada: Rubayiat
2) Bolinho de Bacalhau: bar da Portuguesa
3) Cozido: Antiquarius
4) Leão Veloso: Rio Minho
5) Osvaldo Aranha: Cosmopolita
6) Picadinho: Sudbrack (foto)
7) Galeto: Sat’s
8) Milanesa: Bar Lagoa
9) Filé com fritas: Filé de Ouro
10) Empada de camarão: O Caranguejo
11) Pastel de carne: Alvaro´s
12) Picanha: Esplanada Grill e Braseiro da Gávea

Alves, do Gero, prepara o seu steak tartare, na cozinha: melhor maître - Foto de Bruno Agostini
Alves, do Gero, prepara o seu steak tartare, na cozinha: melhor maître – Foto de Bruno Agostini

AS CARAS DO RIO
1) O melhor chef: Thomas Troisgros, Olympe
2) A revelação do ano: Thiago Berton, do Pici
3) O melhor patissier: Frédèric de Meyer, do Eça
4) O melhor barman: Léo Black, do Brigite’s
5) O melhor sommelier: Cecília Aldaz, do Oro
6) O melhor garçom: Índio, da Churrascaria Palace; e Agnaldo, do Sat’s
7 ) O melhor maître: Alves, do Gero (na foto)
8) O restaurateur do ano: Marcelo Torres, do grupo Best Fork
9) O melhor padeiro: Rafael Brito, The Slow Bakery
10) Trabalho socioambiental: Teresa Corção, do Instituto Maniva

 

 

admin

Bruno Agostini é carioca, jornalista e fotógrafo. Especializado em turismo, gastronomia, vinhos e cervejas, viaja o mundo atrás de boas histórias, e da boa mesa. Com passagens por empresas como Jornal do Brasil, O Globo e Editora Abril, foi inspetor de restaurantes do Guia Quatro Rodas e é autor de livros, como guias de viagem, vinhos e restaurantes. Atualmente atua como freelancer, escrevendo para veículos especializados, entre jornais, sites e revistas, como Época Rio, Top Destinos, Carbono Uomo, Eatin’Out e Baco, entre outras. Contato: bagostini@gmail.com Instagram: @brunoagostinifoto

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