Queijo da Lúcia, de Tiradentes: o melhor produtor artesanal de Minas Gerais

Lúcia Resende, e seu queijo – Foto de Bruno Agostini

Sábado sim, domingo também, lá está ela, em sua barraquinha, vendendo a produção da semana na feira de pequenos agricultores que acontece junto à estação ferroviária de Tiradentes. Lúcia Resende faz queijos artesanalmente, com o seu pequeno rebanho, que ela trata com carinho de filho. Chamar seus queijos de artesanais é até pouco. Ela os produz carinhosamente, cuidadosamente, e com sabedoria de quem nasceu nesse universo rural, e passou a vida entre vacas e queijos.

O danadinho do bezerro conseguir ultrapassar a cerca – Foto de Bruno Agostini

– Cada vaquinha tem uma personalidade. E aqui todas Têm nome. Umas são mais agitadas, outras mais calmas, outra é mais imponente. Acho isso engraçado – diz ela, enquanto observa um bezerro “danado” conseguir ultrapassar a cerca para ir mamar na mãe.

Lúcia, orgulhosa com o seu troféu – Foto de Bruno Agostini

Ir até ela, e comprar algumas de suas peças, é para mim um programa obrigatório em Tiradentes. Se essas palavras não lhe comoveram, então vou dar mais argumentos, para quem gosta de premiações. No ano passado ela desbancou a Serra da Canastra, e foi a primeira vencedora de fora da mais emblemática região produtora de queijos do Brasil, no 9º Concurso Estadual do Queijo Minas Artesanal (para ler uma reportagem sobre a competição, clique aqui, aqui, aqui ou aqui).  Nas oito edições anteriores só tinha dado Canastra. Agora te convenci?

O piquete maternidade, para antes de desmamar os bezerros – Foto de Bruno Agostini

O pessoal chama mesmo de Queijo da Lúcia os seus produtos, mas o nome oficial é Sabor da Serra, do Sítio da Conquista. Com alguma sorte é possível pegar alguns queijos, de maturação mais linga, de até 30 ou 50 dias. São maravilhosos. Estou com um aqui em casa, que me dá imensas alegrias todas as manhãs, seja escoltando um café, ou virando omelete, ou mesmo fazendo de um mero queijo quente algo sublime.

O queijo, com massa cremosa e casca dura, de sabor intenso – Foto de Bruno Agostini

Quem quiser ver as suas vaquinhas, e sua pequena e limpíssima estrutura, pode ir até o sítio, que fica a poucos minutos do Centro Histórico de Tiradentes. Foi o que fiz. Entre uma prova e outra dos queijos, falamos de seu rebanho.

– Quando ganhei o prêmio eu tinha só seis vacas, muito pouco. Quase não participei, porque tinha que mandar algumas amostras, e eu estava quase sem queijo. Não achei que ia dar em nada, e nem fui até Belo Horizonte. Até que me ligaram, dando a notícia. Queria sair voando até lá – conta ela, que mostrou visão de empresária, ao logo nos dias seguintes à premiação mandar o filho até o Paraná, para comprar mais vacas. – Hoje tenho 40, e estou ampliando pasto e a estrutura de produção, mas não muito, porque não quero crescer, acho que assim vai ficar de bom tamanho – diz Lúcia, que ensina a clientela a continuar a maturação em casa, deixando o queijo protegido de insetos, e virando-o a cada dia (segui as dicas, e o queijo só vem melhorando).

 

 

admin

Bruno Agostini é carioca, jornalista e fotógrafo. Especializado em turismo, gastronomia, vinhos e cervejas, viaja o mundo atrás de boas histórias, e da boa mesa. Com passagens por empresas como Jornal do Brasil, O Globo e Editora Abril, foi inspetor de restaurantes do Guia Quatro Rodas e é autor de livros, como guias de viagem, vinhos e restaurantes. Atualmente atua como freelancer, escrevendo para veículos especializados, entre jornais, sites e revistas, como Época Rio, Top Destinos, Carbono Uomo, Eatin’Out e Baco, entre outras. Contato: bagostini@gmail.com Instagram: @brunoagostinifoto

One thought on “Queijo da Lúcia, de Tiradentes: o melhor produtor artesanal de Minas Gerais

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *