Sim, eu gosto do Mr. Lam. E gosto muito

Tradição: todas as noites um cozinheiro abre a massa do noodles na mão, no meio do salão – Foto de Bruno Agostini

Inaugurado em 2006, o restaurante chinês Mr. Lam, na Lagoa, foi colocado inicialmente como uma excentricidade do seu idealizador, Eike Batista. Resultado de um investimento milionário, a casa tem três andares, com amplas paredes de vidro, com direito a um terraço panorâmico com vista para o Cristo Redentor, estátuas de guerreiros de terracota originais e um motor de lancha decorando uma das mesas, além de uma adega exclusiva da Veuve Clicquot, que veio recheada com um pequeno lote de raridades da marca de champanhe. No início, a carta de vinhos tinha assinatura do Boni.

O lugar que foi visto com desconfiança, como se fosse uma extravagância, aos poucos foi ganhando notoriedade pela comida bem executada, com nível de acerto e regularidade impressionantes, com uma equipe de salão das mais bem treinadas da cidade: o serviço ali sempre foi de excelência, da apresentação dos pratos aos rituais do vinho.  Com mesas espaçadas e confortáveis, boa louça e uma carta de vinhos muito bem montada, o Mr. Lam foi um dos primeiros lugares do Rio a apostar na coquetelaria.

O pato laqueado é o prato mais emblemático da casa – Foto de Bruno Agostini

Mesmo em tempos de crise, o restaurante mantém um bom movimento, e mesmo sem ser barato. Uma pessoa vai gastar ali cerca de R$ 200, para fazer uma refeição, com bebidas, sem abusar dos pedidos (o recomendável menu degustação, com o pato laqueado incluído, custa R$ 195). Nesta ótima reportagem de 2013, os amigos Fabio Brisolla e Cristina Grillo entrevistam o também amigo Eder Heck, e entre outras coisas ele revela o faturamento mensal de aproximadamente R$ 1 milhão.

O alto nível do serviço faz do Mr. Lam um dos restaurantes preferidos pelas importadoras de vinhos e outras bebidas para fazerem degustações, jantares harmonizados e outros tipos de eventos para apresentação de produtos.  Deste modo, desde 2006 o M. Lam está sempre na listas de lugares que mais frequento, e certamente neste período já estive lá mais de 50 vezes, no barato.

“Mr. Batista’s Prawns”: camarões empanados em molho picante – Foto de Bruno Agostini

Gosto da comida, e o que mais me impressiona é a regularidade dos pratos. Eles saem sempre iguais. Os camarões do do “Mr. Batista’s Prawns”, clássico da casa, são sempre do mesmo tamanho, no ponto exato de cozimento, e o molho picante tem sempre a mesma textura e sabor.

O “Ma Mignon Mr. Lam”, meu prato preferido – Foto de Bruno Agostini

O mesmo se repete com a carne do “Ma Mignon Mr. Lam”, uma milanesa à moda chinesa, crocante e com molho ligeiramente apimentado, e que é o meu prato preferido no Mr. Lam (falo mais sobre ele neste post aqui).

O mais famoso, porém, é o pato, que também tem a mesma virtude de ser sempre igual, com o mesmo tamanho, a mesma textura, o mesmo sabor. Isso impressiona mesmo, ainda mais aqui no Brasil, onde a regularidade, tanto do fornecimento da matéria-prima, quanto da mão-de-obra, são difíceis de se alcançar.

Entre outros pratos que gosto e recomendo estão o satay de frango, com o seu molho cremoso de curry, amendoim e gengibre;  os dumplings e, nas noites mais frescas do inverno, a Sopa de Pequim (para 2 pessoas), com shiitake e um tipo de funghi seco chinês, gengibre, frango e um leve toque de pimenta (para ver o cardápio, clique aqui).

Sim, eu gosto do Mr. Lam, e torço para que ele continue firme e forte. Quem diria, o restaurante extravagante acabou sendo o negócio de sucesso do Eike Batista.

SERVIÇO
Mr. Lam – Rua Maria Angélica, 21, Lagoa. Tel. 2286-6661. www.mrlam.com.br

E mais: Mr Lam: quando a virtude é ser sempre igual (a importância da regularidade, e da qualidade do serviço)

admin

Bruno Agostini é carioca, jornalista e fotógrafo. Especializado em turismo, gastronomia, vinhos e cervejas, viaja o mundo atrás de boas histórias, e da boa mesa. Com passagens por empresas como Jornal do Brasil, O Globo e Editora Abril, foi inspetor de restaurantes do Guia Quatro Rodas e é autor de livros, como guias de viagem, vinhos e restaurantes. Atualmente atua como freelancer, escrevendo para veículos especializados, entre jornais, sites e revistas, como Época Rio, Top Destinos, Carbono Uomo, Eatin’Out e Baco, entre outras. Contato: bagostini@gmail.com Instagram: @brunoagostinifoto

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