Suculentas, perfumadas, cítricas, frutadas, amargas e turvas: as New England IPAs são o estilo da vez no universo cervejeiro do Brasil

No Brasil o fenômeno tem menos de um ano. Aconteceu basicamente na primavera passada, quando sedentos por cervejas refrescantes encontramos este novo e emergente estilo, em alta nos EUA, derivado das cada vez mais lupuladas IPAs. Nascida no Leste dos Estados Unidos, a New England IPA está na moda, marcada por um processo radical, com cargas pesadas de lúpulo, teor alcoólico alto e pouca ou nenhuma filtragem, resultado em cervejas refrescantes, frutadas, cítricas, perfumadas e – naturalmente – amargas. Para quem gosta das características citadas, muito fáceis e agradáveis de beber. Glou glou total.

Deixo aqui alguns links para boas matérias sobre o tema:
Blog Saideira, O Globo: http://blogs.oglobo.globo.com/saideira/post/febre-de-new-england-ipas-no-rio-ja-sao-cinco-versoes-e-levedura-no-mercado.html
O Estado de São Paulo, por carolina Oda: http://paladar.estadao.com.br/noticias/bebida,turva-suculenta-cara-e-polemica-a-nova-ipa,10000086055
Blog Bom Gourmet, Gazeta do Povo: http://www.gazetadopovo.com.br/bomgourmet/febre-da-new-england-ipa

Shark Attack e Lion Attack, da Mistura Clássica; e a Hazy, da Overhop (à esquerda): três bons exemplos de cervejas deste estilo – Foto de Bruno Agostini

Pelo que tenho notado, o Rio de Janeiro, que vive um momento incrível na produção de cervejas, desponta como grande protagonista quando o assunto é New England IPA, também chamadas Northeast IPA. A grande referência no estilo atualmente é a cervejaria Mistura Clássica, que abraçou a causa, e lançou vários rótulos, dentro da linha “Attack”, com três representantes: Lion Attack (com 7%), Shark Attack (com 7,5%) e Snake Attack (com 9%). Interessante notar o quanto esta cervejaria nascida em Volta Redonda evoluiu nos últimos dois anos. Aperfeiçoou a sua linha, e lançou vários novos rótulos, antenados às tendências e com receitas muito bem executadas – e ainda inaugurou os seus dois postos avançados, se aproximando do público: o contêiner no estacionamento de um supermercado na Tijuca e o Bar da Fábrica, na Marina Verolme, em Angra dos Reis.

Outra cervejaria que se destaca nesta seara suculenta é a Hocus Pocus, que lançou no final do ano passado a Overdrive. E fiquei ligeiramente surpreso em encontrar um exemplar deste estilo na pequena e ótima cervejaria Ranz, em Lumiar. Aliás, foi das melhores que já provei.

Ranz, de Lumiar: Tem Coragem? Deliciosa – Foto de Bruno Agostini

Como tem no lúpulo o seu elemento mais marcante, são cervejas desenhadas para serem bebidas o mais rápido possível. Assim, a melhor maneira de se apreciar um representante do estilo é bebendo diretamente na fonte; nas torneiras. Uma das melhores que provei recentemente foi assim, na cervejaria Ranz, em Lumiar, agradavelmente instalada em uma casa à beira do laguinho que concentra a vida social do lugar. Se eu tiver que recomendar uma única cerveja dali seria a chamada Tem Coragem, NE IPA com 6,7% e muito frescor.

A descrição da Tem Coragem? no menu da Ranz

Turva, perfumada e saborosa, desce fácil, com seus sabores cítricos e frutados. Uma delícia. Por R$ 16, é seguramente a mais barata boa cerveja deste estilo, que é dos mais caros por conta do uso intenso de lúpulo, um dos ingredientes que mais pesam no preço final de uma cerveja.

Aliás, foi nas torneiras do Artesanato da Cerveja, “growler station” de Copacabana, que eu apreciei as melhores goladas das cervejas da linha “Attack”, da Mistura Clássica, que usa latas de 473 ml para distribuir essa linha, porque o lúpulo é fotossensível, e quando envasado em garrafas pode sofrer alterações por conta disso. Foi lá que provei pela primeira vez a Snake Attack, maravilhosa.  Nas 18 torneiras da casa sempre tem uma NE IPA plugada, pode acreditar, como a Overdrive e a Koala Livin’ The Dream, por exemplo, além das já citadas produzidas pela Mistura Clássica.

 

admin

Bruno Agostini é carioca, jornalista e fotógrafo. Especializado em turismo, gastronomia, vinhos e cervejas, viaja o mundo atrás de boas histórias, e da boa mesa. Com passagens por empresas como Jornal do Brasil, O Globo e Editora Abril, foi inspetor de restaurantes do Guia Quatro Rodas e é autor de livros, como guias de viagem, vinhos e restaurantes. Atualmente atua como freelancer, escrevendo para veículos especializados, entre jornais, sites e revistas, como Época Rio, Top Destinos, Carbono Uomo, Eatin’Out e Baco, entre outras. Contato: bagostini@gmail.com Instagram: @brunoagostinifoto

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