A torta Sacher e a tradição dos cafés vienenses

A tradição do consumo de cafés em Viena é antiga, e vem dos tempos em que os turcos cercaram a cidade, em 1683. Sem sucesso na tentativa de invasão da capital do Império Austro-Húngaro,o exército otomano bateu em retirada, deixando para trás sacas de café. Logo foram inaugurados espaços dedicados a servir a bebida, hoje hoje há mais de mil cafés na cidade, e eles são tombados como Patrimônio da Humanidade, pela Unesco. As formas de preparo foram refinadas pelos austríacos, que pareciam ser ainda uma companhia perfeita para a doçaria típica, com seus bolos, tortas, cremes e outras receitas açucaradas – e também a panificação,  outra tradição da gastronomia local (tanto que os franceses, outras mestres no assunto, usam o termo “viennoiserie” para designar essa coleção de itens, das massas folheadas e seus derivados, do croissant ao pain au chocolat, até as tortas, bolos e  brioches, tudo criação de cozinheiros de Viena, que se espalharam pelo mundo).

Ir a cafés, e provar os doces locais, são dois programas mais que obrigatórios aos que visitam Viena, como eles vão acontecer naturalmente ao longo de sua estadia, por muitas e muitas vezes. Mas alguns lugares são emblemáticos nesses assuntos.

Como dizia anteriormente… O Steirereck é o mais espetacular e imperdível programa turístico gastronômico de Viena. Mas há muitos outros, a começar por uma sobremesa, a torta Sacher, servida no café que funciona Sacher Hotel, junto à Ópera Estatal de Viena, o principal teatro da cidade. Prepare-se para a fila, ainda maior antes dos espetáculos musicais, que também compõem o roteiro turístico fundamental pela cidade.

A torta Sacher, servida no hotel onde nasceu, e que lhe empresta o nome – Foto de Bruno Agostini

Fui provar a torta logo depois do almoço. Como eu não tinha tinha pedido sobremesa, deixei esta etapa para outro clássico vienense, assim como o Steirereck e seu wiener schnitzel: a torta Sacher, em seu local de nascença. Vale mais pelo ritual, pelos aspectos históricos.

Close nela – Foto de Bruno Agostini

É uma torta de chocolate boa, não mais que isso. Gosto, pessoalmente, das mais molhadinhas. Sem dúvidas, tem bom chocolate, o creme de chantilly que acompanha é acima da média, e o café – sua escolta clássica – forma um bom conjunto. Vale pelo menos uma visita.

Falando em Sacher e schnitzel… O doce é oferecido em outros cafés entre os muitos que existem na cidade, numa seleção de nomes liderada pela Demel, cujos doces, uma instituição vienense, são tão famosos que são produzidos numa vitrine, com funcionários sendo fotografados como se fossem monumentos. Gostei mais dos doces daqui. O wiener schnitzel também faz bonito ali.

Nesta tradição de cafés, existem ainda outros imperdíveis, nem que seja só para curtir o ambiente. São vários salões históricos, lugares democráticos, onde filosofia, artes plásticas, literatura e música era debatidos por alguns dos cérebros mais inteligentes, como o Landtmann, inaugurado em 1873 e frequentado por nomes como Sigmund Freud e Gustav Mahler, e o Café Central, de 1876, o mais emblemático de todos, reduto de escritores e intelectuais.

No mais, não se esqueça de comer um cachorro-quente, como salsicha viena, é claro, acompanhado de uma boa cerveja local, no estilo… Vienna Lager, naturalmente.

Para encerrar, deixo aqui o link para uma boa matéria de Natalie Soares para o ótimo Viaje na Viagem, de Ricardo Freire.

SERVIÇO
Café Sacher: Diariamente, das 8h à meia-noite. Philharmonikerstrasse 4. sacher.com
Demel: Diariamente, das 9h às 19h. Kohlmarkt 14. demel.at
Café Central: De segunda-feira a sábado, das 7h30m às 22h. Domingo, das 10h às 22h. Herrengasse 14
Café Landtmann: Diariamente, das 7h30m à meia-noite. Universitätsring 4. landtmann.at

 

admin

Bruno Agostini é carioca, jornalista e fotógrafo. Especializado em turismo, gastronomia, vinhos e cervejas, viaja o mundo atrás de boas histórias, e da boa mesa. Com passagens por empresas como Jornal do Brasil, O Globo e Editora Abril, foi inspetor de restaurantes do Guia Quatro Rodas e é autor de livros, como guias de viagem, vinhos e restaurantes. Atualmente atua como freelancer, escrevendo para veículos especializados, entre jornais, sites e revistas, como Época Rio, Top Destinos, Carbono Uomo, Eatin’Out e Baco, entre outras. Contato: bagostini@gmail.com Instagram: @brunoagostinifoto

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