Vinho de segunda: Filipa de Lencastre Alvarinho 2014

Quem me apresentou a este vinho foi a sommelière argentina Cecília Aldaz, do Oro, que sempre tem rótulos surpreendentes para servir. Foi o caso deste branco explosivo:  o Filipa de Lencastre Alvarinho 2014, produzido pela tradicional Quinta de Vila Nova, propriedade de 1688, em Castelões, na Região do Minho.

Servido às cegas, despertou curiosidade com seu estilo nervoso, combinando uma acidez encrespada com notas mais amadeiradas: mas de onde vem isso? A garrafa renana levou a crer se tratar de um exemplar de origens germânicas. Riesling não perecia. Podemos cruzar a fronteira. Sim: Alsácia, quem sabe um Pinot Gris? Foi um chute total, que passou longe.

– É um Alvarinho, da Região do Minho – revelou Cecília.

– Lembra até alguns vinhos do Anselmo Mendes, mas não é.

Ela então tira o laminado que tapava o rótulo e apresenta a garrafa. Que surpresa.

Filipa de Lencastre: importado pela Dockwine, é vendido por R$ 86 em site – Foto de Bruno Agostini

O vinho, classificado como Vinho Regional do Minho, já é daqueles que agradam pelo equilíbrio. Se por um lado apresenta o frescor, a acidez vibrante e os tons minerais típicos dos vinhos dessa região ao norte de Portugal, por outro também traz marcas da madeira usada com moderação, na medida para dar untuosidade e volume, mas sem afetar as frutas tropicais, e as notas florais que tornam esse branco um vinho amigável, fácil de gostar. Ainda mais à mesa, como foi o caso.

Ele foi servido no final do percurso de entradas (quer ler sobre o jantar? Clique aqui: precisa login no Facebook). Ainda pegou um serviço com quatro petiscos:  pato ao “molho pardo”;  vieira, alga e nabo curado;  mochi de camarão com chuchu  e tempurá de milho, vagem defumada e abacate, quando demonstrou versatilidade, podendo se combinar com pescados e receitas mais delicadas, mas também outras mais potentes, com carnes e molhos densos.

Mas ele brilhou mesmo com o sanduíche de porco e abacaxi, homenagem ao Cervantes, com kimchi picante na medida exata. A gordura, o agridoce da fruta, a pimenta… tudo se encaixou perfeitamente com o vinho. E não seria uma má ideia passar uma refeição inteira bebendo este vinho, que tem a virtude de limpar a boca a cada golada.

Além de receitas neste perfil, com carne de porco, eu pensaria em pratos com pescados gordos, de sardinhas a barrigas de atum, a receitas de bacalhau, seja ao creme seja ao azeite; e também para mariscos e crustáceos: já imaginou um churrasco com lagostins, cavaquinhas, camarões, e ao lado mais um prato gelado com ostras, vieiras e mexilhões crus? Seria uma linda experiência.

O vinho, trazido para o Brasil pela Docwine Importadora de Vinhos (http://docwine.com.br/), custa R$ 86 no site da Cave d’Or: https://cavedor.com.br/produto/filipa-de-lencastre/

admin

Bruno Agostini é carioca, jornalista e fotógrafo. Especializado em turismo, gastronomia, vinhos e cervejas, viaja o mundo atrás de boas histórias, e da boa mesa. Com passagens por empresas como Jornal do Brasil, O Globo e Editora Abril, foi inspetor de restaurantes do Guia Quatro Rodas e é autor de livros, como guias de viagem, vinhos e restaurantes. Atualmente atua como freelancer, escrevendo para veículos especializados, entre jornais, sites e revistas, como Época Rio, Top Destinos, Carbono Uomo, Eatin’Out e Baco, entre outras. Contato: bagostini@gmail.com Instagram: @brunoagostinifoto

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